Navio Carl Hoepcke

Conheça também….

História

Terceiro navio adquirido no ano de 1927 pela empresa Cia de navegação Carl Hoepcke. O Navio Carl Hoepcke fez diversas viagens, ligando Santa Catarina, a capital Florianópolis ao resto do Brasil, através da cabotagem. Iniciou como Cargueiro, passando por Navio de Boate e ao fim Navio Fantasma.

Especificação Técnica

 
Navio_Carl
Arquivo Pessoal Marli Silva Avancini‎.
 
navio_projeto_Hoecpke
Planta do Navio.

Construído no ano de 1927 na Alemanha, no estaleiro Schichau-Werft em Gdansk – atual Polônia, ex-território alemão. Tinha 62,74 m de comprimento por 10,99 de largura, com um calado de 5,43 metros com peso de 1.250 toneladas, movido a carvão. Podia acomodar 56 passageiros em primeira classe e 55 passageiros em 3ª Classe. Suas principais paradas foram entre os portos catarinenses também em Paranaguá, Santos, Ilha Bela, São Sebastião Ubatuba e no Rio de Janeiro.

Ao chegar em Florianópolis, em julho 1927, depois de 27 dias de viagem, trazendo 898 toneladas de carvão, foi adquirido e batizado pela neta do homenageado com o nome de Carl Hoepcke.

Tinha maquinas com potencia de 12 mil HP que moviam duas hélices para alcançar uma velocidade de 12 milhas por hora.

 
Carl Hoepcke_navio_2
Navio Carl Hoepcke

Transatlântico Luxuoso

Em 17 de julho, a embarcação deixa o porto de Hamburgo e, após 27 dias, chega ao porto de Florianópolis, na praia de Rita Maria, próximo à ponte Hercílio Luz, inaugurada um ano antes. O navio é incorporado à frota da Empresa Nacional de Navegação Hoepcke, fundada pelo imigrante alemão em 1865, e passa a transportar pessoas (em duas classes de alto padrão ) e cargas (madeira, erva-mate, manteiga, banha) desde Florianópolis até o Rio de Janeiro, com paradas nos portos catarinenses de Itajaí e São Francisco do Sul. O trajeto durava, em média, três noites. Foi durante os anos de 1927 a 1960 uma forma mais glamorosa de viajar entre a cidade de Florianópolis para o Brasil.

Sua chegada nos portos sempre era recebido com muita festa e alegria pelos moradores locais, com os melhores trajes para receber os viajantes.

 
Carl Hoepcke_navio
Navio Carl Hoepcke

O governo federal passa a apostar na matriz rodoviária e faz com que a navegação de cabotagem se torne menos vantajosa economicamente. A partir de então, a família vende Carl Hoepcke ao empresário e armador Wladimir Greaves, de São Paulo, que muda o nome do navio para Recreio e transforma-o em boate ancorada na praia do Góes, à entrada do porto de Santos.

Primeira tragedia

Em 25 de fevereiro, as amarras da embarcação soltam-se devido a fortes ventos e, como não havia mais motores, fica à deriva. Já próximo ao Aquário Santista, o navio encalha. Tornou-se, imediatamente, atração aos moradores e turistas da cidade. O jornal A Tribuna de Santos, em 1º de março, noticiava que o melhor programa do santista foi ir até as imediações do Aquário para ver o navio que a maré jogou na areia.

 
navio_encalhado
Navio encalhado na praia de Santos.

Em 24 de abril, estava marcada a operação para tentar desencalhar o navio. Mas ela foi suspensa devido à apreensão das autoridades em relação à possibilidade de um acidente. O navio, então, teve de ser desmontado. O casco precisou ser recortado a fim de possibilitar a remoção. A parte do meio da embarcação até a popa manteve-se soterrada. O advogado Gastone Righi Cuoghi defende judicialmente Greaves devido à demora da remoção e, de presente, ganha um conjunto de timão, bússola e cinco escotilhas, retirados do navio Carl Hoepcke.

Fim trágico

            Após quase 30 horas de viagens de luxo, o transatlântico teve um grande incêndio que começou na casa de maquinas e dominou todo o navio no dia 27 de setembro de 1956.

            A embarcação recém tinha saído do Porto de Santos e estava em uma velocidade de 15 mil milhas com 130 passageiros a bordo. Durante a tragédia, as pessoas se jogavam ao mar, ficando muitos feridos e um passageiro morreu afogado.

Navio estava com uma carga muito valiosa para a época, farinha de mandioca e madeira que após o incêndio foi transferido para outra embarcação. Foi rebocado pelo vapor Anna para a propriedade da Cia Hoepcke. Para que pudessem apagar o fogo total do navio, tiveram que afunda-lo e trazer novamente a superfície em uma operação muito perigosa.

Após reforma concluída no estaleiro Arataca, sofreu modificações para ser apenas cargueiro, perdendo o glamour que encantava as pessoas pelo luxo que tinha.

Após o fechamento total da baia Norte em Florianópolis, na década de 60, a companhia entrou em declínio assim como todas as empresas com navegação no estado de Santa Catarina.

Companhia vendeu o navio para um Porto no Norte no Brasil, mudando o nome para Paissandu e tendo os cuidados necessário adquiriu muita ferrugem ao final de sua vida.

Reformado mais uma vez, servia agora como navio Restaurante e Boate Flutuante até no ano de 1971.

Em 26 de fevereiro de 1971 na praia da Ponta de Santos, encalha mais uma vez a cem metros da avenida Bartolomeu Gusmão. Em uma estranha decisão sobre o que fazer com o navio encalhado, ficou conhecido como navio fantasma, sendo um grande problema para a cidade. Até no ano de 1999, foi totalmente desmontado na praia, ficando apenas os restos do casco, onde tiveram que enterrar na areia pela dimensão das peças que ainda mantinha.

Retirada dos destroços

No ano de 2006 a prefeitura de Santos, começou a retirar os destroços que havia sobrado no navio na praia, que naquele momento estavam enterrados na áreia.

Pesquisador de Santos entra em contato com o Instituto Carl Hoepcke para relatar que destroços do navio voltam a aparecer. A família, então, segue até a Baixada Santista para participar do início dos trabalhos de remoção e consegue a doação de duas peças: leme com a parte final do casco, onde esse componente se apoia, e uma estrutura de suporte do eixo da hélice.

Em julho é oficializada a doação dos objetos. As peças chegam a Florianópolis em 11 de agosto. Timão, bússola e escotilhas ficam expostas ao público no Instituto Carl Hoepcke. Os outros objetos retirados do navio encalhado encontram-se em oficina especializada em Palhoça, onde são preparados para serem expostos em breve, possivelmente em 2017 no casarão ao lado do Mercado Público, em Florianópolis, que também pertence à família Hoepcke.

Referências

  1. http://dc.clicrbs.com.br/sc/estilo-de-vida/noticia/2016/08/pecas-do-navio-carl-hoepcke-naufragado-em-santos-na-decada-de-70-retornam-a-santa-catarina-7354234.html. Acesso em 16/01/2018.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s