Paula Loth Hinsching (Meine Oma)

Conheça também…

História de Vida

Nascida em 15 de fevereiro de 1916, na rua XV de Novembro(Antiga Mittelweg), atrás da cervejaria Antártica, filha de imigrantes alemães, Ferdinand Paul Loth e Clara Dietz. Para sabermos sua história necessário, saber sua origens. 

Mãe, avó, bisavó, irmã, companheira, mulher que gostava de flores e de todos os tipos, uma pessoa de raridade amor e carinho para com o próximo. Contar um pouco de sua história se torna muito prazeroso para mim, porque além de seu neto, posso dizer que fui um pouco “filho”, assim como todos a quem ela acolhia. 

Ferdinand Paul Loth (Pai)

Ferdinand, ou vulgo Fernando, único filho do casal Carl Friedrich Loth e Elisabeth Scharf que nasceu no Brasil-Joinville, os outros filhos nasceram na Alemanha-Hohendorf. Casal e seus filhos Imigraram ao Brasil em 1.874, chegando no Porto de São Francisco do Sul e se estabeleceram em Pirabeiraba, na localidade do Centro e partir da agricultura, tiravam o sustento da família.

Clara Dietz (Mãe)

Clara, sua mãe, nascida na Alemanha cidade de Trempershof – Lüdenscheid, com 11 anos veio ao Brasil com seu pai Heinrich Dietz e sua irmã Elisa Dietz Sauerbeck. Sua mãe Lina Woest Dietz e seu irmão menor, faleceram na Alemanha, por invasão militar na casa. Heinrich com esperança de melhor vida para suas filhas e seus outros dois filhos (August e Ema), resolveram aproveitar o mutirão e vir para a Brasil a partir da Sociedade Colonizadora de Hamburb, que dizia ótimas condições de trabalho e ofertava uma melhor vida. Chegaram em 08/12/1899 no Porto de São Francisco do Sul, e através de uma carroça, na época, meio de locomoção, chegaram em Joinville e fizeram residencia morando no bairro de Pirabeiraba, seu pai Heinrich professor, começou a lecionar alemão.

Casamento dos Pais (Ferdinand e Clara)

Bodas de Ouro casal (Ferdinand e Clara)

Seus pais se conheceram através da igreja Luterana de Joinville, participando nos cultos de domingos e logo após 1 ano de namoro, casaram-se no dia 28/09/1912. Família grande com sete filhos: 

  • Adele * 1913
  • Augusto *1914
  • Paula *1916
  • Alfredo *1920
  • Olga *1923
  • Isolde *1925
  • Erica *1927

Ambos seus pais levaram uma vida muito difícil, porque Joinville estava em fase de desenvolvimento. Agricultores da roça, Fernando, conseguiu comprar uma charrete, ou troller que realizava a venda de produtos artesanais por Joinville. Moraram durante três anos na Rua XV de Novembro, logo após se mudaram para o bairro Aventureiro, na rua Iririú. Ponto de localização é Centro Social Urbano, onde as árvores plantadas por eles, permanece até hoje. Paula, terceira filha mais velha do casal, aprendeu a falar “brasileiro”, ou pouco antes de casar, com 22 anos. Antes tudo em casa era falado em alemão. Sua mãe Clara, nunca aprendeu falar português. 

Infância até a fase Adulta

Cresceu em uma vida de plantação e roça, desde de cedo, ajudando seus pais e irmãos. Quando pequena precisava levar leite para atender as vendas do mercado do centro da cidade. Augusto com 13 anos e ela com 11 anos, percorriam a pé rua Iririú, descalços. 

Quando passavam na frente a casa do Sr. Butcheroid, iam correndo, medo que o senhor brigassem com eles por passar na rua, cheia de mato na frente a casa dele.

Paula aos 18 anos.

Com 13 anos de idade, junto com sua mãe Clara, precisou levar as pressas a irmã mais nova para fazer benzimento de “arca caída”, e ao chegar no portão da senhora benzedeira, ela viu o rostinho de sua irmã mais nova desfalecer ficando imóvel e no silencio. Anos se passaram, e com sua mãe aprendeu a cozinhar, fazer bolos, pães, cuidar do Jardim e ajudar nos compromissos de casa. Aos 18 anos conhecerá um rapaz, de família muito rica em Joinville, apenas me recordo do sobrenome, Colin. Acredito que possa ser primeira paixonite, de Paula, mas como a questão social antigamente contava muito, seu pai, pediu para terminar o namorico e não dar andamento, porque eram de famílias muito diferentes. 

Casamento e família

Aos 20 anos, conhecerá um rapaz militar, que nasceu em Blumenau. Por intermédio de seu irmão Ricardo Hinsching, o namoro foi ficando firme, até que aos 22 anos em 26/02/1938, casou na igreja Luterana de Joinville. 

No inicio, como não tinham moradia, desta forma o jovem casal foram morar em Pomerode, com os sogros de Paula, Albert Hinsching e Bertha Louize Havestein Hinsching. Moraram juntos durante dois anos. Ajudavam na agricultura com plantio e cuidado com os animais. A Bertha Louize não gostava muito da presença de sua nora. Algumas vezes a Louize matava as galinhas de Paula, dizendo que eram as mais gordas e melhores para a refeição.

Um dia Albert e Bertha Louize brigaram feio porque a sogra não fazia respeito com a nora, colocando sempre 3 pratos de comida da mesa para refeição. Com a situação bem desgastante Albert virou a mesa, com toda a louça e com o almoço e a partir daquele dia, conseguiram ter dias de paz. Paula não suportando mais tanta humilhação, junto com seu esposo resolveram voltar para Joinville para fazer uma nova vida. 

Amigos e conhecidos

Aniversários

Chegando na casa de seus pais Fernando e Clara, seu pai deu apenas 3 dias, casa sempre cheia de pessoas, não tinha mais como abriga-los. Conseguiram alugar uma casa na Rua XV de novembro. Lá tiveram seus dois primeiros filhos Dolores e Osvaldo Hinsching. Maior parte do dia ficava sozinha em casa com os filhos. 

39878708_10210148811831435_8421897969388748800_n
Casal Arnoldo e Paula.

Compra Casa bairro Iririú

Em 23 de maio de 1944, vendendo umas galinhas, usando a poupança guardada a anos e vendendo a bicicleta caloi de Paula, comparam um terreno com uma casa, situado na rua Iririú, 444 do antigo proprietário Tony Amroschi.

O casal não sabiam mas que essa casa seria para a vida toda. Foi o terceiro casal mais antigo da rua Iririú. Logo após nasceu Rozinha e em sequencia Ruth, Romilda e mais o novo Vilson. 

Na época da 2ª Guerra Mundial, os militares brasileiros, rodeavam os quintais da casa para saber quem falava em alemão e muitas vezes a conversa em casa, por falar pouco em português, respondiam apenas o necessário. Do lar, nunca aprendeu a ler ou escrever, com muito trabalho, e esforço criou os seis filhos de trabalho a partir da orça roça. Ensinou as filhas desde de cedo, a fazer comida, costurar e trabalhar e nunca se cansava. 

39745113_10210137564670263_8223614456207245312_n
Bodas de Ouro do casal Arnoldo e Paula. Filhos esquerda para direira (Vilson, Osvaldo, Dolores, Rozinha, Rute e Romilda).

Mulher Bondosa

Ajudou seu irmão Augusto com sua esposa Paula Wierner, com seus três filhos, na criação. Problema mentais de sua cunhada ofereceu ajuda ao irmão para ajudar na educação da família. Nunca negou ajuda, e sempre disposta a ajudar as pessoas, por perto.

Realizava benzimento de arca-caída nas crianças – atendimento de bebes com dias de vida até seus quatro anos de idade. A poucos meses antes de falecer mesmo doente e debilitada, nunca negou uma oração ao anjinho doente que batia em sua porta. Sempre atendia pelo apelido carinhoso “D. Paula”.

Mulher de pulso firme, na edução dos filhos, nunca faltou comidaem casa. Sempre mesa cheia para seus 16 netos. Criados desde pequenos, todos estavam sempre aos finais de semana na casa dos avós comendo cuca, bolo e outras coisas gostosas que fazia. Ajuda sua irmã Adele, sua vizinha, que mesmo nas piores situações, ainda emprestou seu melhor vestido para o enterro dela. Gostava de flores, e de todos os tipos, a vizinhança falava, “olhas as flotes da D. Paula, que coisas mais lindas”.

Viúva

Em 1988 seu esposo Arnoldo Hinsching, veio faleceu com 74 anos de idade, após 50 anos de casada, ficando mais reclusa, saindo pouco de casa. 

Lembranças que ficam…

Lembro de nos domingos, adorava receber vista dos familiares, sobrinhos, irmãos, filhos, netos, bisnetos. Vizinhança sabia da situação em não sabia de casa, e recebia visita de suas amigas. Sempre durante a semana, depois de uma boa conversa, cafezinho da tarde. Para datas festivas, como Natal, Pascoa e Dias das Mães sempre tinha bolo, cuca e muita vista em casa.

Seu aniversário era sempre uma diversão. O roteiro, já começava no final do mês do janeiro, para definir quem iria fazer o que. Preocupada, com a quantidade de pessoas que sempre recebia, não queria deixar faltar nada e se atentava a todos os detalhes. Desde a louça até os últimos preparativos do aniversário. Seu filho Vilson já sabia que o seu aniversário, sempre foi um evento bem grande, sendo realizado no restaurante da família. Tia “Mila” iniciava os seus trabalhos três dias, começando pelas as massas de bolo, Tia “Lore” nos salgados assim como todos os filhos eram envolvidos com o evento. Naquele tempo era muito prazeroso ver todos da família trabalhando em conjunto – todos envolvidos pela causa – do aniversário da Oma. #saudades.

O que mais me recordo, foi ela contando da situação difícil que teve durante o trabalho na roça. Suas pernas já não podia contar muito, pelo joelho “gasto” de tanto “virar terra”, e os dedos das mãos ficaram “tortos” que não conseguia fechar por inteiro.

Mesmo com dificuldade de locomoção, não a impedia de acordar cedo e mexer no guarda-roupas, arrumando as suas roupas, detalhe: A cama precisava ser arrumada todo dia de manhã, para iniciar bem o dia, dica que aprendeu desde cedo. 

O que mais adorávamos era domingo de manhã, escutar “Musicas em Alemão”, pelo Valdir Finder. As musicas que tocavam antigamente na vitrola, tempos antigos e adorava ficar escutando e junto o “Curio” de casa, que cantava sem parar. 

Partida

Faleceu aos 88 anos de idade no dia 11/08/2004 em Joiniville. Tempo suficiente para conhecer seus bisnetos. 

Quando seu cortejo fúnebre chegou no cemitério, ainda me lembro de pessoas que diziam para esperar, um pouco porque ainda tinha pessoas saindo da igreja no qual estava sendo velada. 

Legado

O que mais me marcou foi a sua força de vontade de viver. Nunca deixou de sorrir, ou ficar triste com as situações que se mostrava em sua frente. Mulher forte, muito trabalhadora e não se permitia ficar depois das oito na cama. Sempre tinha algo para fazer em casa. Ainda hoje tenho saudades daquele tempo, que ficava em casa, ouvindo suas histórias nos tempos dos antigos. Atualmente a prole do casal, aumentou para o total de 45 descendentes, sendo: 

O casal em São Joaquim, acompanhando sua filah Rute e neto Rubens. Ávore de Maças.
  • 06 – Filhos
  • 16 – Netos
  • 22 – Bisnetos
  • 01 – Trineto.

Deixo a minha homenagem a essa mulher fantástica que viveu cada segundo como fosse seu último.

Meine Oma Paula e eu com exatos 5 e 7 anos de idade.

Anúncios

4 Comments

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s