Lenda – Enterro do Cabecinha na Ilha Redonda – SFS/SC

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Histórias e Lendas da Cidade de São Francisco do Sul

Segundo a crônica do “Cabecinha” de Adolfo Bernardo Schneider em seu livro “Nossa boa Terra” de 1984, referente as páginas 78, 79, 80 e 81, pesquisas realizadas pelo históriador Rafael José Nogueira‎.

A lenda abaixo, transcrita pelo livro, conta que após a morte do Cabecinha, os escravos deveriam de fazer o enterro do ex-capitão na Ilha Redonda, onde por diversas vezes, realizavam o sepultamento do corpo, e ao amanhecer o corpo estava novamente em cima da Terra, do lugar onde foi sepultado. Muitas foram as vezes que os escravos tentaram manter o corpo enterrado, mas ao amanhecer o corpo estava acima da Terra. Conta a lenda que, o corpo nunca foi enterrado, porque nem a Terra o aceitava devido as duas maldades realizadas em vida. Boatos que apenas um monte de mato cresceu sobre o corpo e em noites de Luas Cheias, pode-se ver um corpo seco acima da Terra. Realmente assustador!
Cabecinha faleceu por volta de 1720.

[…]E o que tem a Ilha Redonda com o Comandante? Este possuía nessa ilha uma casa e escravos, que cuidavam das plantações. Era porém um senhor tão miserável, que, quando havia camarões, dava somente a metade de uma a cada escravo e como pedissem mais um pouco desse petisco gostoso, lhes passava a chibata pelo lombo, prometendo a outra a metade para o dia seguinte….

Conta ainda a lenda, que o feroz e autoritário Comandante, sentindo próximo o seu fim, se retirou completamente para essa ilha, lá enterrando um tesouro, para que ninguém o achasse, deixando também instruções, que, quando viesse a falecer, queria ser enterrado nessa mesma ilha, pois tinha pleno conhecimento do ódio do povo de São Francisco do Sul, por haver provocado a maldição do sacerdote sobre a cidade, sendo provável também e mesmo certo, que lhe teriam recusado sepultura no Campo Santo.

E quando o velho Comandante veio a morrer, os escravos, obedecendo às instruções recebidas, não o levaram a São Francisco do Sul, mas procuraram enterrá-lo na mesma Ilha Redonda. Não conseguiram porém realizar o seu intento, pois toda vez, que o deitavam no túmulo e o cobriam de terra, achavam-no na manhã seguinte deitado do relento, pois até ao chão de sua própria ilha recusava aceitar o corpo de um homem, que tanto mal havia causado à região. Atemorizados, os escravos abandonaram então o corpo e fugiram da ilha, que voltou dentro de breves anos ao que tinha sido antes: um morrinho redondo, coberto de mato cerrado, de aspecto antipático e de difícil acesso.

Contam também, que ainda hoje, em noites de luar, se vê o corpo seco do Comandante encostado a uma árvore, à beira d’água, como que a implorar, que venha alguém que lhe dê sepultura. Os marítimos porém se benzem calados, ao passarem em noites de luar por aquela ilha…

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