Maria Theresa Elisa Böbel – Historiadora – Joinville

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Biografia

A homenageada deste mês será a eterna pesquisadora, escritora e especialista em letra gótica Maria Thereza Böbel. Tive o privilégio várias vezes em conversar com ela sobre a história de Joinville e apoio em traduzir textos, nomes e sobrenomes em Alemão e fazer-me entender e tomar gosto da letra gótica alemã, algo raro, valioso e artistico para os dias de hoje, para quem procura a sua genealogia.

Nasceu em 28 de setembro de 1947 na cidade de Joinville, filha de Jutta Hagemann, seu nome de solteira completo era Maria Thereza Eliza Hagemann da Cunha. Casou-se com Romeu Böbel e adotou o sobrenome do esposo, Juntos tiveram três filhos: Claudia, Karina e Ricardo.

Amor pela História

Muito timida desde menina, enfrentava grandes dificuldades em falar em publico, causando náuseas e mal-estares contínuos. Decidido a acabar com os males que o pai pediu para que tirasse a menina do magistério. 

Seu pai decidiu então coloca-la em estudos, como foco de ensimo em idiomas, principalmente a lingua alemã e desta forma veio o prazer em conhecer ainda mais a história de sua cidade Joinville, uma vez que boa parte dos documento eram todos na lingua alemã.

Maria Thereza não realizou faculdade, mas nasceu historiadora e pesquisadora pronta, algo que vem desde o berço. O amor pela história é de família, sendo retrada pela Sra. Jutta Hagemann, que contava a “Joinville de Ontem” desde o início do século XX, histórias e conhecimentos já repassados pela sua mãe, que havia nascido em 1901. A história da cidade era transmitia de mãe para filha – de forma natural e depois Sra. Jutta fez o mesmo com sua filha Maria Thereza.

Arquivo Histórico de Joinville

Começou a trabalhar no AHJ no ano de 1983 e foi responsável pela traduçãõ de diversos documentos, do idioma alemão para português.

Nos anos de 1983 e 1985 organizou o material do arquivo para sua transferência ao novo prédio do AHJ, inaugurado na avenida Beira-Rio em 1986. Entre os anos 1993 e 1995 foi diretora do Arquivo Histórico de Joinville e em 1995 a 1996 foi responsável pelo Museu Nacional de Imigração e Colonização.

Durante três meses, ficou na Alemanha pesquisando no Arquivo Estadual de Hamburgo, no Arquivo Político do Ministério do Exterior (em Bonn), no Arquivo Estadual de Bremen e no Arquivo Central da Igreja Evangélica (Berlim), entre outros.

Sua herança foram várias traduções e artigos publicados no boletim do Arquivo Histórico de Joinville, na revista do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, colaborando na elaboração de diversas teses de mestrado de professores da Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE).

Junto com a professora Raquel S. Thiago, Maria Thereza lançou em 2001 a obra “Joinville – Os Pioneiros, Documento e História” (UNIVILLE).

Seu último trabalho foi para o Jornal A Notícia de Joinville em junho de 2005, narrou a “folclórica relação de amor entre o francês Frederic Bruestlein – amigo particular do Príncipe de Joinville -, que se apaixonou pela delicada Mella Heeren“. Segundo a narração, Mella, que era trisavó de Maria Thereza, “não correspondeu ao francês e casou com um confeiteiro que se estabeleceu perto da casa do outro pretendente”. O casal só ficou próximo após a morte, em sepulturas vizinhas do Cemitério Nacional dos Imigrantes em Joinville.

Legado

As publicaçoes de Sra. Böbel foram de grande importância para a cidade de Joinville, onde diversos pesquisadores, historiadores e genealogistas puderam conhecer suas origens, documentos traduzidos do alemão gótico para o portugues e disponibilizado no Arquivo Histórico de Joinville. Teve grande apóio de sua orientadora e mestre em tradução gótica Elly Herkenhoff. Fez também traduções de artigos do jornal Kolonie-Zeitung.

Ela resgatou a história de muitas famílias e muita gente pode finalmente procurar pela sua origem. 


Sra. Jutta Hagemann (Mãe)

Em parceria com a historiadora Raquel S, Thiago, os dois volumes de “Joinville – Os Pioneiros, documento e história“, levantamento que lista cada leva de imigrantes que chegou a Joinville. 

—  Suas traduções eram impecáveis. Não raras vezes Thereza recorria a enciclopédias, atlas e livros para evitar possíveis enganos de tradução – recorda a colega e amiga.
Foram muitas as vezes que as duas pesquisadoras se divertiram com as histórias que acabavam sendo descobertas com a tradução. Elas passaram a existir para a história joinvilense a partir daquele momento.


Historiadora Raquel S. Thiago

Projeto -LISTA DE IMIGRANTES – Joinville

Junto com a historiadora Elly Herkenhoff e Helena Remina Richlin, participou do projeto LISTAS DE IMIGRANTES, uma lista informatizada da chegada dos Imigrantes na cidade de Joinville, sendo responsável pela tradução, equipe técnica, sistematizaçao e digitação do livro.

Listas de imigrantes de Joinville (1851 a 1891) e (1897 a 1902) Baixar

Em 1982 a historiadora joinvilense Elly Herkenhoff dava início à tradução das listas de imigrantes constantes do acervo do Arquivo Histórico de Joinville, visando atender à crescente procura de informações por parte de descendentes daqueles imigrantes. Já no ano seguinte, D. Elly repassou os procedimentos do trabalho que vinha realizando com base nos originais das listas de imigrantes, produzidos originalmente em alemão gótico manuscrito, à Maria Thereza Böbel, trabalho este que, a partir de então, passou a ser desenvolvido sistematicamente, conforme sua orientação. Em um caderno alfabetado, registrava-se à mão: sobrenome e nome do imigrante, profissão, se veio com esposa, número de filhos, região de procedência, nome e ano do navio. Contudo, este sistema, obrigava os técnicos e pesquisadores a consultar os originais, à procura de dados complementares tais como: cidade de procedência, nome e idade da esposa e dos filhos, etc., manuseio que, por outro lado, comprometia a preservação destes mesmos originais.

Histórico da Elaboração da tradução das Listas de Imigrantes – Arquivo Histórico de Joinville

Falecimento

Faleceu no dia 15 de outubro de 2005 aos 57 anos, vítima de seu amor pela história: o câncer que contraiu, e com o qual lutou durante cinco anos, provavelmente foi conseqüência de anos de exposição aos venenos que foram aplicados para proteção dos documentos históricos do AHJ.

Deixou um legado inestimável para a cidade com suas traduções para o português, sendo reconhecida no meio histórico de Joinville um patrimonio para a cidade.

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