Para que serve a História?

Essa é uma indagação presente em todas áreas da sociedade que busca encontrar um sentido na história. Se eu fosse responder de forma bonita e politicamente correta eu dividiria a resposta em duas partes:

Diria que antigamente a história servia para legitimar um passado que explicasse a formação do Estado-nação assim surgindo um espírito patriótico ou nacionalista e claro forjar uma identidade nacional.

Depois diria que na atualidade a história continua a criar identidades seja ela nacional, regional ou local.

Entretanto também iria afirmar que a história hoje vai mais além e forma o indivíduo em três dimensões:

1. Formação da Cidadania: um cidadão político e crítico;

2. Formação intelectual: Um cidadão que consegue observar, descrever, relacionar presente-passado-presente, comparar, identificar semelhanças e diferenças;

E por último a:

3. Formação Humana: O Respeito às diferenças étnicas, religiosas, sexuais, de costume, gênero e poder econômico, do ponto de vista do fortalecimento de reflexão crítica sobre as consequências históricas das atitudes de discriminação e segregação.

São respostas de manuais e formais que penso não satisfazem o público. Certamente eu não tenho uma resposta exata.

O máximo que posso dizer são hipóteses.

O escritor George Orwell pseudônimo de Eric Artur Blair oferece uma síntese interessante de uma possível utilidade da história: “Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado”.

Para Orwell existe uma relação intrínseca entre passado-futuro e presente-passado. Poder reescrever o passado equivale a poder desenhar o futuro como bem quiser. Da mesma forma dominar o presente abre possibilidades de dizer qual é o “verdadeiro” passado e qual dele(s) “realmente” existiram e principalmente qual deles devem ser lembrados.

Embora Orwell seja interessante com sua visão sobre o passado derrapa ao relacionar o passado com o futuro. A história não trabalha com futuro. No máximo mostra alguns padrões que se repetem ao longo do tempo e que podem talvez se reproduzir novamente um dia. Porém tudo no campo da suposição.

O filosofo alemão Friedrich Nietzsche afirmou na sua segunda consideração Intempestiva que o problema da cultura alemã na modernidade era o excesso de história que mata o homem, entretanto ao mesmo tempo admite ser necessário entender que a vida necessita da história.

A dúvida então ainda persiste quanto a utilidade da história.

A história é o processo do constante refazer por isso não existe resposta clara e exata para esse questionamento. A história engendra mais dúvidas do que respostas. A história é muito mais a ciência da possibilidade do que a ciência da verdade.

Finalmente a história serve para matar o fanatismo da “verdade absoluta” e criar a reflexão para a liberdade.

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