A cidade de Deus de Santo Agostinho

Agostinho viveu num mundo em pedaços. Viveu entre os séculos IV e V da nossa era comum. Assistiu uma Roma em decadência, um império infestado de corrupção, os povos germânicos batendo a porta das fronteiras romanas, o cristianismo se consolidando como religião oficial de Roma e ainda imperadores agora convertidos ao cristianismo protegendo a nova religião, ao mesmo passo buscando interesses próprios movidos por paixões e ambições.

Vale destacar que Agostinho nem sempre foi cristão, apenas aos 33 anos converteu-se ao cristianismo e batizou-se no natal de 387. Influenciado em um primeiro momento por uma corrente famosa na época a chamada seita dos maniqueus, ao se desiludir com ela começa a enxergar no Neoplatonismo ideias superiores frente ao maniqueísmo e também identifica semelhanças com a doutrina cristã. Mais exatamente de 416 a 427 ele escreve o seu mais famoso livro a “Cidade de Deus”. Anos antes em 410 o rei germânico Visigodo Alarico havia invadido Roma e todo império ficou abalado moralmente até mesmo alguns cristãos culpavam sua própria religião assim como os pagãos argumentando que a invasão de Roma pelos Visigodos foi um castigo dos deuses romanos por terem sidos abandonados pelo novo Deus cristão. Além de declarem que esse novo Deus era incapaz de proteger o império.

É aqui que entra Agostinho com papel neste momento de mostrar que essa ideia estaria errada e mostrar que o novo Deus não era culpado pelo declínio de Roma, assim temos sua obra De Civitate Dei (lat. Cidade de Deus) onde mostra sua principal teoria a existência da cidade de Deus e a cidade do Diabo. Segundo ele existe a cidade terrena, isto é, o nosso mundo onde vivem os cristãos e os pagãos. Partindo dessa premissa existiria para Agostinho a cidade de Deus que seria uma cidade espiritual. Do outro lado estaria a cidade do Diabo. As duas cidades estam inseridas e misturadas na cidade terrena, e somente o juízo final ira separá-las e distinguir seus habitantes. Mas o que funda essas cidades? Para Agostinho dois amores. O amor de si que leva ao desprezo de Deus funda a cidade do Diabo e o amor a Deus que leva ao desprezo de si mesmo e funda a cidade de Deus.

Portanto, a diferença de fundação consiste nesta diferença de amores em relação a Deus. Por fim é importante dizer que Agostinho tinha uma visão teológica da história. Em suma para ele a história não era cíclica, e sim bíblica deste modo teológica e assim linear, ou seja, um inicio, um meio e um fim.


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1 Comment

  1. O curioso é que o maniqueísmo, posteriormente, foi o precursor do caos na Europa que culminou na inquisição. Os maniqueístas eram contra o matrimônio e a concepção. Eram também veganistas pois acreditavam que qualquer alimento derivado de criaturas que se reproduziam era impuro. As mulheres não podiam engravidar pois se acontecesse os bebes eram mortos ou abandonados na estrada para morrer de fome. Então de certa forma, até mesmo o infanticídio era pratica entre os maniqueus. Por incrível que pareça, até alguns nobres europeus aderiram a essa insanidade. Não é difícil entender por que Agostinho abandonou a seita maniqueísta.

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