Vapor Babitonga

Vapor Babitonga foi um barco de transporte que operou na Baía da Babitonga, no estado de Santa Catarina (Brasil nos finais do século XIX e inícios do século XX.

Acervo AHJ.

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História

O pequeno Vapor de 14 metros de comprimento por 2,5 metros de largura, com capacidade de transportar até cinco toneladas, “além do combustivel necessario”, foi construído na Europa, casco de aço, motor com caldeira tendo como combustível lenha, com 13 metros de comprimento e barquinho foi transportado da França até o Rio de Janeiro, no convés de outro navio.

Tinha calado de um metro de profundidade e “força nominal” de “28 cavallos inglezes”. O barquinho tinha sido adquirido por Frederico Brustlein, o diretor da Colônia Dona Francisca na época, diretamente do Porto de Le Havre, na França, onde funcionava como rebocador.

Frederico Brustlein, o diretor da Colônia Dona Francisca

Com nome original de Vedette, foi imediatamente nacionalizado para Babitonga ao chegar a Santa Catarina. O objetivo era “manter a communicação regular” entre o porto de São Francisco do Sul, Joinville e Paraty (atual Araquari), como previa um contrato assinado entre Brustlein e o governo provincial (estadual).

Acervo AHJ.

Foi lançado às águas na baía de Guanabara, veio costeando o litoral brasileiro até São Francisco do Sul e ali foi rebatizado com o nome de “Babitonga”, homenageando a bela baía por onde iria navegar até Joinville, transportando passageiros e mercadorias.

Primeira Viagem

Acervo AHJ. Foto Sr. Frederico Bruestlein

O calendário marcava o ano de 1888, mês de maio, quando o Babitonga fez sua primeira viagem, levando passageiros e bagagens, com destino a Joinville. Jornal da época registra o fato: “mostrou-se como embarcação de marcha veloz, fazendo a ida de São Francisco do Sul com 30 passageiros a bordo, em duas horas e meia e a vinda de Joinville em apenas duas horas”.

Gazeta de Joinville -Trazia aos seus leitores uma notícia alvissareira e fresquinha, da véspera, quando, dizia o jornal, “vimos entrar em nosso porto o primeiro vapor que sulcou as aguas do Rio Cachoeira”. Era a primeira embarcação movida a motor a alcançar Joinville (SC) e – ao que se esperava – o início da modernização dos transportes na cidade. Gazeta de Joinville –  19/11/1878

De propriedade do Sr. Frederico Bruestlein, administrador de Joinville, recebeu da presidência da provincia a concessão necessária, fundou a Empresa de Navegação a Vapor, abrindo perspectiva da comunicação entre Joinville e São Francisco do Sul.

Burocracia já existia naqueles tempos

Assim, em 1 de junho de 1888, apareceu o seguinte edital nos jornais Gazeta de Joinville e Kolonie-Zeitung: “A Empreza de Navegação a Vapor entre São Francisco do Sul e Joinville faz sciente ao respeitável público que pretende principiar a correr no dia 2 de Junho o seu serviço.

Acervo AHJ.

O Babitonga esteve em atividades até a década de 1930, foi aposentado na Praia de Paulas, depredado e enferrujado, desapareceu completamente esquecido, depois de prestar relevantes serviços às duas cidades .

Acervo AHJ.

O seu comandante Otto Benack e seu ajudante e maquinista Otto Patzsch muito contribuiram junto com todos que tiveram a honra de nele terem viajado.

RESPEITO À MARÉ

Os horários das viagens não eram fixos, porque era preciso levar em conta a maré – o trajeto pelo Rio Cachoeira só era possível quando ela estava cheia, o que acontece aproximadamente a cada 12 horas. Como o efeito da Lua sobre o mar vai mudando de horário dia a dia, era preciso escalonar as partidas do Babitonga de acordo com a tabela, sempre saindo de Joinville pela manhã e retornando de São Francisco do Sul à tarde.

Gazeta de Joinville –   08/06/1880

O anúncio da Gazeta dizia que em Joinville “as horas de sahida” seriam avisadas na véspera, até às 16h, em três pontos: na “estação do vapor”, à Rua Boussingault (atual Rua 7 de Setembro), na “estação telegraphica”, à “Rua do Caxoeira” (hoje Rua Princesa Isabel) e na “casa do Snr. A. Beck”, à Rua de São Pedro (atual Rua Ministro Calógeras). As escalas também seriam “communicadas aos donos dos hoteis se quizerem”.

O trajeto de Joinville ao porto, a favor do curso do rio, era cumprido em duas horas – o retorno, a jusante, demorava duas horas e meia.

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1 Comment

  1. Otto Benaclk era filho natural de Frederico Brustlein. A Metalúrgica Otto Bennack ficava atrás do Palácio dos Príncipes e depois se transformou em Usina Metalúriga de Joinville que fabricava vagões ferroviários.

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