Documentos da Escravidão: comércio de escravos em Joinville

Obtivemos junto ao tabelionato Rodrigo Lobo cópias de recibos da meia-siza, imposto pago ao governo imperial pago por senhores de escravos ao realizarem transações envolvendo cativos.


Os documentos raros e valiosos demonstram que houve comércio de escravos na nossa na nossa cidade, ainda que fosse um pequeno mercado de escravos. Transcrevemos os documentos e vamos apresentar em ordem cronológica.

Os documentos cobrem o período de 1872 a 1881.

Um momento de transformações profundas na escravidão brasileira com as leis do ventre livre e dos sexagenários e o movimento abolicionista ganhando cada vez mais forças. Vamos aos documentos.

Meia-siza por venda d’ escravos

Conheça também…


Ano financeiro de 1872-1873

Nº 1.

A fls.: 1 do livro de receita respectiva fica lançada em débito ao atual coletor a quantia de vinte e cinco mil réis.

Que pagou hoje: Comendador Antonio Vieira de Araújo. (Residia no lugar “Jaguaruna”. Emilia de Oliveira, a vendedora, era viúva de Julião Correa da Silva (registro de escravos na paróquia de Parati). O procurador era filho dela.

Importância: da meia siza do escravo Marcelino, que comprou de Joaquim Antonio Corrêa de Oliveira e do procurador de D. Maria Emília de Oliveira, pela quantia de 500 mil réis. Coletoria de rendas provinciais de Joinville em 28 de dezembro de 1872.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza de escravos

Ano financeiro de 1874-1875

Nº 1.

A fls 5 do livro de receita respectiva fica lançada ao atual coletor a quantia de reis: quantia digo quarenta mil reis, que pagou hoje: Pedro Teixeira de Freitas

Importância: Do imposto de meia siza por ter comprado um escravo de nome Bento de Joaquim Borges de Miranda Coutinho por 900 mil réis, residia no início do Iririú.

Coletoria de rendas provinciais em Joinville 8 de abril de 1875.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meiasiza de escravos

Ano financeiro de 1875-1876

Nº 2.

A fls 8 do livro de receita respectiva fica lançada ao atual coletor a quantia de reis: quarenta mil reis, que pagou hoje: Antonio Leandro de Toledo e João Antonio Pereira residiam no Cubatão Grande, o primeiro na margem esquerda, pertencente ao Saí, na época.

Importância: Do imposto de meia siza por ter comprado uma pardinha de nome Carolina de João Antonio Pereira e sua mulher por 250 mil réis Coletoria de rendas provinciais em Joinville 10 de junho de 1876.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1876-1877

Nº 1.

O Sr.: Francisco Carvalho de Assis França de Ambrósios.

Pagou a quantia de: quarenta mil réis, digo quarenta e [ilegível] mil e dezessete reis.

Do: imposto de meia siza, por ter comprado de José de Souza da Silva residiu na Estrada da Serra, um criolo por nome Francisco de idade de 11 anos por 500 mil réis.

Coletoria provincial de Joinville em 13 de outubro de 1876.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1878-1879

Nº 1.

O Senr.: Alexandre Justino Reges

Pagou a quantia de: oitenta mil réis.

Do: imposto de meia siza, porque comprou uma escrava parda de nome Anna com um mulatinho de nome Quintino e dois filhos livres, todos na importância de um conto de réus de Chrispim Antonio de Oliveira Mira.

Coletoria provincial de Joinville em 23 de novembro de 1878.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1878-1879

Nº: [Documento danificado]

O Senr.: Antonio Soares Lopes

Pagou a quantia de: quarenta mil réis.

Do: imposto de meia siza, por ter comprado um escravo de nome Ignácio por 950 mil réis de Domingos Coelho Gomes.

Coletoria provincial de Joinville em 18 de dezembro de 1878.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1878-1879

Nº 3.

A Senrª.: Joana Dias da Silveira

Pagou a quantia de: oitenta mil réis.

Do: imposto de meia siza, por ter comprado digo vendido a Gregório da Cunha Maciel uma escrava de nome Escolástica, criola com 3 filhos sendo uma de nome Maria cativa com 9 anos de idade e dois libertos ingênuos tendo no valor, isto é, os dois cativos, no valor de novecentos mil-réis.

Coletoria provincial de Joinville em 10 de março de 1879.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1878-1879

Nº 4.

O Senr.: Miguel Leal de Souza Nunes

Pagou a quantia de: quarenta mil réis.

Do: imposto de meia siza de escravo, porque comprou de Francisco Gomes de Oliveira, uma escrava criola de nome Maria, de 16 anos de idade, pelo valor de setecentos mil reais

Coletoria provincial de Joinville em 17 de março de 1879.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1878-1879

Nº 5.

O Senr.: Antonio Simke.

Pagou a quantia de: quarenta mil réis.

Do: imposto de meia siza de escravo, porque comprou de João Antonio Caldeira, uma escrava de nome Maria cor parda por 1 contos de réis, levando em sua companhia 2 ingênuos, uma de nome Virginia e outro ainda, sem nome por falta do batismo.

Coletoria provincial de Joinville em 19 de junho de 1879.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1881-1882

Imposto

3 por cento adicional: 40$000

R$: 40$000

Nº 1.

O Senr.: Antonio Soares Lopes.

Pagou a quantia de: quarenta mil réis.

Do: imposto de meia siza, porque comprou de Francisco José de Souza, um escravo de nome Severino, cor parda, solteiro, morador neste município.

Coletoria das rendas provinciais de Joinville em 12 de setembro de 1881.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Meia-siza por venda d’ escravos

Ano financeiro de 1881-1882

Imposto

3 por cento adicional: 40$000

R$: 40$000

Nº 2.

O Senr.: José Celestino de Oliveira

Pagou a quantia de: quarenta mil réis.

Do: imposto de meia siza, porque comprou de João Francisco de Souza, uma escrava de cor parda de nome Joaquina pela quantia de 600 mil réis.

Coletoria das rendas provinciais de Joinville em 13 de dezembro de 1881.

Fonte: Tabelionato Rodrigo Lobo.

Outras “transações” -sem documento

  • 12/12/1871– Escrava Valentina, 15 anos, vendida por José de Souza da Silva (procurador José Eduardo da Silva) para Floriano Machado Fagundes (do Paraná). Valentina, de idade de 15 anos, pelo preço de 950 milréis. Foi pago imposto sobre “escravo saído da província”.
  • 21/02/1872 – Escrava Sebastiana, 20 anos, e seu filho Emidio, de 2 anos de idade, de propriedade de Maria Emilia de Oliveira (por seu procurador e filho, Antonio de Oliveira Correa e Silva) vendida a Francisco Alves Pereira de Araújo, pago pela mão de Francisco Simões da Silva, ao preço de 900 mil réis. Seguiram para a província do Paraná. Transação efetuada na residência de Maria Emilia de Oliveira, no Parati. (a vendedora de Paraty, viúva de Julião Correa da Silva)
  • 13/11/1876 – Escravos Ignacio, criolo, cor preta, 38 anos, e Graciano, criolo, pardo, de 17 anos, de propriedade de Anna Maria da Trindade, vendidos a Manoel Soares de Carvalho por seu procurador, Thomas Machado de Oliveira. Preço de 1 conto e quinhentos mil réis. (a vendedora era viúva de Manoel Gonçalves de Oliveira, estrada Sta. Catarina, Böhmerwald-registros eclesiásticos em Parati e Joinville).
  • 06/03/1878 – Escrava Rosa, parda, solteira, 17 anos de idade aprox., deste município, filha da escrava Martina (ou Martinha) de propriedade de João Pereira Lima, sendo Rosa de propriedade de João Laurindo Gomes de Freitas, vendido a Antonio Soares Lopes, pelo preço de 700 mil reis.” (vendedor morador em Três Barras, genro de Januário de Oliveira Cercal)
  • 01/10/1879 – Escrava Tereza, preta, de idade de 20 anos, mais ou menos, que tem um filho liberto em seu poder, de propriedade de Joanna Dias da Silveira, moradora do município de Joinville, vendida a Bento Geraldo Moreira, do Paraty. Vendida por 750 milréis.” (vendedora do Cubatão Grande, viúva de Januário de Oliveira Cercal)
  • 17/12/1879 – Escrava Rosa, criola, de 30 anos aproximados, de propriedade de Maria Dias do Rosário (procurador Antonio Alves Pereira), vendida a Antonio Carneiro de Paula, pelo preço de 600 milréis.”
  • 13/05/1880 – Escravo Graciano, criolo, pardo, solteiro, de 21 anos de idade, de propriedade de Manoel Soares de Carvalho, vendido a Antonio João Vieira jr., pelo preço de 1 conto e 100 milréis. (comprador Paranaguá-mirim ou Itaum)”
  • 06/11/1880 – Josefa, parda, 18 anos, matriculada na Alfândega de SFS, escrava de Gaspar Gonçalves de Araújo – por indenização – recebe José Celestino de Oliveira, transmissor Gaspar Gonçalves de Araújo, como indenização pela morte de seu escravo Polidoro, que foi assassinado pelo escravo do transmissor, de nome Ambrozio”. (José Celestino de Oliveira, com engenho erva-mate na estrada da Serra, e G.G. Araújo -filho ou pai? Estrada do Oeste, ou Saí).

Refêrencias

  • Todos os documentos acima foram escaneados do Tabelionato Rodrigo Lobo em outubro de 2019.

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