Joinville na Segunda Guerra mundial

  1. A entrada do Brasil na segunda guerra mundial:

Mesmo o Brasil tendo declarado guerra as potências do Eixo quase três anos após o início da segunda guerra mundial, a nação já está de certa forma envolvida ainda com o clima de guerra já que o Brasil como a maior nação da América do Sul vinha sendo disputado no campo diplomático pelos norte-americanos e alemães. Em janeiro de 1942 na Conferência de Chanceleres do Rio de Janeiro o Brasil se decide pelo norte-americano rompendo as relações com os alemães, desagradando profundamente o governo alemão que encara a decisão como uma declaração e inicia vários ataques de submarinos a costa brasileira resultando em vários navios afundados e várias mortes. Pressionado pela gravidade dos torpedamentos alemães as embarcações brasileiras e pela opinião o presidente Getúlio Vargas decide declarar guerra em 31 de agosto de 1942.

2. Santa Catarina e Joinville no conflito:

O Brasil enviou segundo números oficiais 25.334. Foi apenas 1/4 dos previstos 100 mil soldados acordados com os norte-americanos. Na imagem abaixo montado pela Gazeta do povo podemos ver a distribuição do contingente por Estado. Santa Catarina contribuiu com 956 soldados que representa uma participação de 3,77% no número total.

Imagem 1: Contingente de expedicionários por Estado. Fonte: Gazeta do Povo

Desse número total 49 praças catarinenses tombaram na Itália que gera um índice de 5,12% de mortes. O número pode ser considerado baixo dado a falta as condições que a FEB obteve no período para ir a Itália.

Em Joinville vemos abaixo na Imagem 2 que aparentemente a população recebeu bem a notícia de guerra ao eixo em agosto de 1942, embora é difícil pensar que uma cidade com forte imigração germânica não tenha ficado apreensiva com a notícia, potencializado pela campanha de nacionalização que desde 1938 vinha fazendo uma perseguição implacável contra descendentes de alemães.

Segundo Wilson de Oliveira Neto os exame de admissão no 13º BC começaram somente em março de 1944 (NETO, 2008, p. 99).

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Imagem 2: Manifestação de apoio a entrada do Brasil na II GM apud GUEDES, Sandra Paschoal Leite Camargo ; OLIVEIRA NETO, Wilson ; OLSKA, Marilia Gervasi . O Exército e a cidade. 1. ed. Joinville: Editora UNIVILLE, 2008. p. 86.

Ainda segundo Neto o primeiro contingente partiu em 28 de abril de 1944 com várias solenidades: missa campal com várias autoridades e instituições importantes da cidade, distribuição de presentes e distintivos e ainda um desfile de despedida nas ruas do Príncipe, 15 de novembro e Duque de Caxias, como se vê abaixo na imagem 3. (NETO, 2008, p. 99-100).

Finalmente quando o desfile terminou em frente à Sociedade Ginástica onde ficava instalado a Legião Brasileira de Assistência que serviu uma refeição aos praças. (NETO, 2008, p. 100). O fato é confirmado pela imagem 4.

Imagem 3: Desfile de despedida dos pracinhas pelas ruas do Príncipe, 15 de Novembro e Duque de Caxias apud GUEDES, Sandra Paschoal Leite Camargo ; OLIVEIRA NETO, Wilson ; OLSKA, Marilia Gervasi . O Exército e a cidade. 1. ed. Joinville: Editora UNIVILLE, 2008. p. 100.
Imagem 4: Refeição oferecido pela LBA aos militares que estavam de partida para a guerra. 28 de abril de 1944 apud GUEDES, Sandra Paschoal Leite Camargo ; OLIVEIRA NETO, Wilson ; OLSKA, Marilia Gervasi . O Exército e a cidade. 1. ed. Joinville: Editora UNIVILLE, 2008. p. 100.

Após todas esses eventos no dia seguinte logo cedo as 6 horas da manhã partiram pela estação ferroviária o primeiro contingente. O pesquisador Wilson de Oliveira Neto diz que nos dias seguintes, 30 e 31 de abril de 1944, embarcaram mais dois contingentes perfazendo um total de 214 homens como consta no relatório do Major Vasconcellos Filhos. (NETO, 2008, p. 101). Todos partiram para Curitiba.

Na praça Monte Castelo (imagem 5) localizado no bairro Bucarein existe no monumento erigido em homenagem a participação dos praças de Joinville uma relação com 155 nomes divergindo do número do Major Vasconcellos. Pelo que apuramos na relação constam não somente praças de Joinville, mas da região norte e vale do Itapocu, como por exemplo o soldado Bruno Scheibel e o Cabo Harry Hadlich, naturais de Corupá e Jaraguá do Sul respectivamente.

Imagem 5: Praça Monte Castelo. Fonte: Família Petroski.

Segue a relação transcrita pela família Petroski:

PRACINHAS DO 13.º BATALHÃO DE CAÇADORES QUE PARTICIPARAM DA FEB

SUB TEN – SGT

1-AVELINO PEDRO R. SILVA

2-ARNOLDO VECHI

3-BRUNO SCHEIBEL

4-ERNESTO G. WAGEMEYER

5-EGON C. GROTH

6-HAROLDO SCHNEIDER

7-JOÃO DE CARVALHO

8-JOÃO DA C. BOMPEIXE

9-JOSÉ A. DA CUNHA

10-JOSÉ D. DE SOUZA

11-JOSÉ DZIEDICZ

12-NESTOR PREIMA

13-OVÍDIO SILVA

14-PEDRO JAEGER

15-RODOLFO JürGENS

16-SEBASTIÃO M. NUNES

CABOS

17-AURÉLIO DE CARVALHO

18-ERALDO N. DE ARRU HARRY HADLICH – Cabo Harry Hadlick,

19-JOSÉ FERNANDES

20-LAÉRCIO HREISEMNOU

21-MANOEL A. DIAS

22-MANOEL L. DE QUADROS

23-MANOEL QUADROS

24-MAURO B. DO NASCIMENTO

25-MIGUEL I. DA SILVA

26-MIGUEL VIEIRA

27-PEDRO BECKER

28-PEDRO KAMERS

SOLDADOS

29-ACÁCIO A. DE OLIVEIRA

30-AFFONSO ROHREGGER

31-AFFONSO G. S. EFESEN

32-AFFONSO SEEFELDT

33-AGENOR GOMES

34-ALBERTO ZIELG

35-ALBERTO HARDT

36-ALBERTO SILZ

37-ALFONSO RATH

38-ALFREDO BAARTZ

39-AMANDUS MEIER

40-AMÉRICO F. DOS REIS

41-AMÉRICO VIEIRA

42-ANDRÉ RANDIG

43-ANGELO VICENZA

44-ANIBAL DOS PASSOS

45-ANSELMO BONELLI

46 -ANTÔNIO A. MARIA

47-ANTÔNIO ELÍSIO

48-ALFREDO R. MILNTTZ

49-ALGEMIRO BENINCA

50-ALVINO MILNITZ

51-ALVINO DE SOUZA

52-ANTÔNIO MARTINOWISKY

53-ANTÔNIO SIKORKI

54-ARISTEU F. DE MELLO

55-ARNOLDO HORNBURG

56-ARTHUR A. DO NASCIMENTO

57-ARTHUR QUANDT

58-ARTHUR RAVACHE

59-AUGUSTO DE ASSIS

60-AUGUSTO BRAATZ

61-AUGUSTO DA MAIA

62-AUGUSTO MÜLLER

63-BASÍLIO MARTINOWISKI

64-BERNARDO GOETKE

65-BOLESLAU KWIENCIN

66-BONIFÁCIO PEREIRA

67-CASSEMIRO KOPPE

68-EDUARDO HARTMANN

69-EGON RAVACHE

70-ELPIDIO LISBOA

71-EMANUEL DA SILVEIRA

72-EMÍLIO LENSCHOW

73-EMILIO E. SIEVERT

74-ERVINO NEITZKE

75-ERVINO ROHREGGER

76-ERVINO SELL

77-EUGENIO LEMKE

78-EUGENIO WODTKE

79-EVALDO WODTKE

80-EVALDO WODTKE

81-FELIPE P. DOS SANTOS

82-FIDELIS STINGHEN

83-FRANCISCO J. DO PATROCÍNIO

84-FRANCISCO MOREIRA

85-FRANCISCO RAABE

86-GERMANO BASSANI

87-GILDO MACHADO

88-GUMERCINDO DA SILVA

89-HARTNIG BORCHARD

90-HEINS FREITAG

91-HELIODORO P. VELOSO

92-HEINRICH HORSTMANN

93-HEITOR DA SILVA

94-HENRIQUE N. FILHO

95-HERCÍLIO DA SILVA

96-HENRIQUE NURENBERT

97-ISOLINO BERNARDINO

98-JACOB P. WINTER

99-HAYME A. MACHADO

100-JOÃO J. CLEMENTE

101-JOÃO L. BATISTA

102-JOÃO M. PADILHA

103-JOÃO MENDES

104-JOÃO N. FILHO

105-JOÃO PADOVANI

106-JOÃO R. HANK

107-JOÃO S. BORBA

108-JOÃO ZABELLA

109-JOÃO B. RIBEIRO

110-JOSÉ A. MOREIRA

111-JOSÉ DE BRITO

112-JOSÉ DEMATHE

113-JOSÉ FELIPE

114-JOSÉ G. DE ARAÚJO

115-JOSÉ H. FERREIRA

116-JOSÉ L. DA SILVA

117-JOSÉ NUNES

118-JOSÉ R. DA SILVA

119-JOSÉ DE S. CALDA

120-JOVINO DOS REIS

121-JULIÃO J. VICENTE

122-JÚLIO F. JUNIOR

123-JÚLIO GONÇALVES

124-LEOPOLDO ACKEMANN

125-LEOPOLDO WEGNER

126-LINO BERTOLI

127-LUIZ BASSANI

128-LUIZ KOCK

129-LUIZ SARDANGNA

130-LUIZ VENTURI

131-MANOEL C. LEMOS

132-MANUEL F. CORREA

133-OCTAVIANO MOREIRA

134-OLÍMPIO A. PEREIRA

135-ORLANDO N. FERREIRA

136-ORLANDO RUDNIK

137-OSVALDO HARGER

138-OSVALDO RANTZLER

139-PAULO RATHUNDE

140-PAULO SANTOS

141-PAULO WOLFGRAM

142-PEDRO J. VICENT

143-RAUL RAMOS

144-RAUL THOMAS

145-REINOLDO MILLNITZ

146-ROMALINO R. SABINO

147-RUDOLPHO RUSTOW

148-SEBASTIÃO G. DA COSTA

149-VENINCIO CARLINI

150-WALDEMAR GANZEMUELLER

151-WALDOMIRO M. DA COSTA

152-WALDOMIRO MELCHERT

153-WALTER ARNDT

154-WIGANDO PSCHAIDT

155-WLADISLAU SIKORSKI

Possivelmente os recrutas da região norte foram agrupados todos em Joinville no 13º BC. As partidas não acabaram em abril e continuaram pelo menos até o final de setembro de 1944, ultimo mês que temos fontes indicando a partida de praças de Joinville.

Conforme coloca Neto não se sabe com clareza o que acontecia com os praças após chegarem a Curitiba:

É muito provável que ao chegar lá ele tenha sido dissolvido e seus membros tenham se distribuído pelas unidades que formariam a FEB, já que dois militares oriundos do 13.o BC na época, o Tenente Wilson de Almeida Fortes e o Terceiro-sargento José Alves da Silva, por exemplo, foram enviados para regimentos de infantarias da FEB diferentes: o primeiro no 6.o Regimento de Infantaria (6.o RI) e o segundo no 11.o RI. (NETO, 2008, p. 102.

O monumento cita 4 batalhas de destaque:

MONTE CASTELO – 02 FEV 45

CASTELNUOVO – 05 MAR 45

MONTESE – 14 ABR 45

FORNOVO – 26 ABR 45

Imagem 6: No documento “Roteiro da FEB” elaborado pelo gabinete fotocartográfico do ministério da Guerra, destacamos com algumas marcações das batalhas citadas.

3. Praças de Joinville mortos na Itália:

Entre os 49 praças tombados na Itália, temos a informação de 2 praças naturais da cidade que não voltaram.

Vamos detalhar as informações que dispomos deles.

3.1. Soldado Gerardt Holz

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Imagem 7: Gerhard Holz. Fonte: Wilson de Oliveira Neto.

Em relação a participação na Itália e detalhes da sua morte temos os seguintes:

155- + SD GERARDT HOLTZ – 05 ABR 45

Soldado Gerhardt Holtz, natural de Joinville – SC, 1G 299410 do 11º RI, falecido a 05/04/45 em Malandrone – Itália. – Recolhia minas que foram desativadas pelo seu pelotão quando, sem que ninguém soubesse como, o caminhão de transporte explodiu, matando não só a ele, mas também mais 4 soldados. (LISTA DETALHADA E ILUSTRADA DOS MORTOS DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA NA CAMPANHA DA ITÁLIA.)

“Gerhardt Holz – Id. 1G-299410 – Classe 1921. 11.º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar em 20 de setembro de 1944. Natural de Joinville – Estado de Santa Catarina. Filho de Frederico Holtz, residente à Rua Frederico Huber, n.º 430, Joinville- Estado de Santa Catarina. Faleceu em ação no dia 5 de abril de 1945, em Malandrone, Itália, e foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia, na quadra B, fileira n.º 10, sepultura nº 112, marca: lenho provisório. Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil, Cruz de Combate de 2.ª Classe e Cruz de Combate de 1.ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: “Foi um dos bravos componentes do Pelotão de Minas. Durante todas as ações em que o Regimento se empenhou, agiu com rara bravura e, sem vacilar, executava todas as missões que lhe eram determinadas. Trabalhou incansavelmente na limpeza de inúmeros campos minados e, por vezes, socorria os fuzileiros que se pretendiam nos referidos campos. Na região de C. Baldino, nos trabalhos executados junto à 1.ª Companhia, embora à noite, socorreu feridos acidentados nos campos minados, onde revelou excepcional sangue frio e calma. Quando na detenção de áreas inimigas minadas na região de Ponte de Malandrone, em face da explosão havida consequente de um bombardeamento, tombou heroicamente no cumprimento de sua missão”. (BOLETIM ESPECIAL DO EXÉRCITO – FEB)

Conseguimos encontrar seu registro de nascimento em Joinville no site Family Search. Segue a transcrição:

“Nº 829. Aos vinte e seis dias de anos de dezembro do ano de mil novecentos e vinte e um neste primeiro distrito de paz da comarca de Joinville, Estado de Santa Catarina, em meu cartório compareceu Frederico Holz, carroceiro, natural deste município, residente nesta cidade, à rua Camboriú, filho legítimo de Frederico Holz, já falecido e de Dª Alvina Holz, residente neste distrito e em presença das testemunhas abaixo nomeadas e assinadas declarou: Que pelas cinco e meia horas do dia vinte e quatro de dezembro corrente em seu domicilio, sua mulher Dª Clara Holz também deste município, filha legítima de Gustavo H, digo de Gustavo Enke e de Dª Anna Enke, residentes em Jaraguá, deu à luz uma criança do sexo masculino que se chamará GERHARD HOLZ que é seu filho legítimo e o terceiro de seu matrimonio efetuado civilmente em Jaraguá. Do que para constar lavrei este termo que lido e estado conforme assinam o declarante e as testemunhas: Otto Kipper e Luis Holz, operários residentes nesta cidade. Eu Waldemiro Onofre Rosa, oficial do Registro Civil, o escrevi.

Waldemiro Onofre Rosa

Frederico Holz

Otto Kipper

Luis Holz”.

Link do Family Search: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-XM9Q-Q1?i=68&wc=MXYT-HZ9%3A337702401%2C337702402%2C339914701&cc=2016197

Imagem 8: Registro de nascimento de Gerhard Holz. Fonte: Family Search.

Junto a igreja luterana foi possível obter o registro de batismo de Gerhard Holz:

Imagem 9: Declaração de batismo. Fonte: Igreja Luterana.

Em 1948 na gestão do prefeito João Colin é homenageado com o nome de uma rua próximo ao 13º BC. Aqui a lei:

Imagem 12: Lei nº 17 de 1948. Fonte: Leis Municipais.

Holz morreu em 5 de abril de 1945. Dois meses depois em junho seu pai Frederico Holz recebe a seguinte carta da FEB assinada pelo general Mascarenhas:

Imagem 13: Carta de condolências a Frederico Holz. Fonte: Wilson de Oliveira Neto.

Por fim temos os monumentos votivos na Itália em homenagem a Gerhard Holz. Não temos notícias de casamento ou filhos por parte de Holz, talvez por ter morrido muito jovem aos 23 anos. Holz era de família de descendência alemã ilustrando bem o que o historiador Dennison de Oliveira chamou de “Os soldados alemães de Vargas”, algo até certa forma comum no sul do Brasil.

Imagem 14 e 15: Monumento Votivo em Pistoia, Itália. Fonte: Mario Pereira.

3. 2 Antonio Carlos Ferreira:

O outro praça que temos confirmação de origem joinvilense é Antônio Carlos Ferreira. De forma equivocada tem sido colocado natural de Jaraguá do Sul, porém os documentos mostram que nasceu, foi registrado e batizado em Joinville. Alguns dados:

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas
Imagem 16: Antonio Carlos Ferreira. Fonte: Correio do Povo, 17 de agosto de 1917.

157- + ANTONIO CARLOS FERREIRA – 14 ABR 45

Soldado Antônio Carlos Ferreira, natural de Joinville – SC, 2G 126.286, do 11º RI, falecido aos 14/04/45 em Montese- Itália. (LISTA DETALHADA E ILUSTRADA DOS MORTOS DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA NA CAMPANHA DA ITÁLIA.)

“Antonio Carlos Ferreira – Id. 2G-126286 – Classe 1921. 11.º Regimento de Infantaria. Embarcou para além-mar em 20 de setembro de 1944. Natural de Joinville – Estado de Santa Catarina. Filho de Júlio Ferreira e D. Paula Ferreira, tendo como pessoa responsável D. Paula Ferreira, residente à Rua Epitácio Pessoa, n.º 132, Jaraguá do Sul – Estado de Santa Catarina. Faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945, em Montese, Itália e foi sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistóia, na quadra C, fileira n.º 1, sepultura n.º 9, marca: lenho provisório. Foi agraciado com as Medalhas de Campanha, Sangue do Brasil e Cruz de Combate de 2.ª Classe. No decreto que lhe concedeu esta última condecoração, lê-se: “Por uma ação de efeito excepcional na campanha da Itália”. (BOLETIM ESPECIAL DO EXÉRCITO – FEB)

Assim como Holz, Antonio Carlos Ferreira também nasceu em 1921 tendo uma diferença de idade em meses:

“Nº 497. Aos três dias do mês de Agosto do ano mil novecentos e vinte um neste primeiro distrito de paz da Comarca de Joinville, Estado de Santa Catarina em meu cartório compareceu Júlio Ferreira, empregado ferroviário natural deste Estado residente nesta cidade à Rua Santa Catarina filho legítimo de Antonio Carlos Ferreira e de sua esposa Dª Maria Justina de Abreu Ferreira ambos já falecidos e em presença das testemunhas abaixo nomeadas e assinadas declarou: Que pelas dezesseis e meia horas do dia primeiro de Agosto corrente em seu domicílio sua esposa Dª Paula Hay Ferreira natural desta cidade, filha legitima de Pedro Hay residente nesta cidade e de sua esposa Dª Guilhermina Hay já falecida, deu à luz uma criança do sexo masculino que se chamará Antonio Carlos Ferreira que é filho legítimo de seu matrimônio efetuado civilmente nesta cidade. Do que para constar lavrei este termo que lido e estado conforme comigo assinam o declarante e as testemunhas Bráulio Miranda e Francisco dos Santos Faraco ambos empregados públicos residentes nesta cidade. Eu Waldomiro Onofre Rosa, oficial do Registro Civil o escrevi.

Waldomiro Onofre Rosa

Julio Ferreira

Bráulio Miranda

Francisco dos Santos Faraco”.

Registro do family search: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-XM97-2T?i=104&wc=MXYT-MJV%3A337702401%2C337702402%2C339888301&cc=2016197

Imagem 17: Registro de nascimento de Antonio Carlos Ferreira. Fonte: Family Search.

Diferente do caso de Holz, Ferreira foi batizado na Igreja Católica:

Imagem 18: Declaração de Batismo. Fonte: Sagrado Coração de Jesus.

A lei 359 de 1972 sancionada pelo prefeito Hans Gerhard Mayer agraciou Antonio Carlos Ferreira com o nome de uma das ruas de Jaraguá do Sul:

Imagem 19: Lei nº 359/72. Fonte: Leis municipais.

Nove dias após a morte de Holz, chega ao fim a vida de Antonio Carlos Ferreira. Dessa vez quem recebe a carta informando o acontecido é a mãe de Antonio, Paula Ferreira:

Da mesma forma Antonio Carlos foi memorializado em Pistóia, com os monumentos votivos.

Imagem 23: Monumento Votivo em Pistoia, Itália. Fonte: Mario Pereira.

Não tivemos ainda a chance de conseguir as fotos das lápides dos praças supracitados no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial localizado no Rio de Janeiro onde desde 1960 repousam os restos mortais dos 468 praças mortos na Itália.

3.3 Locais de mortes dos praças Holz e Ferreira:

No documento do Ministério da Guerra é possível visualizar a batalha na comuna de Batalha ocorrida entre 14 e 17 de abril de 1945. Ela fazia parte da Ofensiva Aliada Final contra os países do Eixo. Pelo lado aliado combateram unidades da 1ª Divisão de Infantaria (expedicionário) brasileira (1ª DIE), com o auxílio de tanques da 1ª Divisão Blindada Americana e pelo lado inimigo tropas do 14º Exército do Grupo de Exércitos C da Wermacht com a vitória aliada como desfecho. No primeiro dia da batalha como informa o Boletim Especial do Exército o praça Antônio Carlos Ferreira servindo pelo 11ª Regimento de Infantaria acabou indo de encontro a morte. O boletim não fornece maiores detalhes da morte, apenas que “faleceu em ação no dia 14 de abril de 1945″ Provavelmente em alguma missão de patrulha”.

Depois temos a morte de Gerhardt Holz morto nove dias antes no dia 5 de abril de 1945 na vila de Malandrone na Toscana, que fica a cerca de 200 Km de Montese. Lemos no Boletim Especial do Exército que Holz integrava o pelotão de minas e que sempre trabalhou limpando minas. Na região da Ponte de Malandrone no dia 5 de abril quando realizava a varredura de áreas inimigas minadas houve uma explosão oriundo de um bombardeio levando Holz a óbito.

Na Lista e ilustrada e detalhada dos mortos da FEB organizado por Henrique de Moura e Hélio Guerreiro o relato é um pouco diferente. Segundo a descrição Holz recolhia minas já desativadas pelo seu pelotão quando de surpresa o caminhão de transporte das minas explodiu matando ele e mais 4 soldados.

É certo que morreu em face de alguma explosão ao recolher as minas. Trabalho difícil e necessário.

Imagem 24: No documento “Roteiro da FEB” elaborado pelo gabinete fotocartográfico do ministério da Guerra, destacamos os locais em que tombaram os praças Ferreira e Holz.

4. O dia da vitória:

Como tradicionalmente é rememorado em 8 de maio de 1945 a Alemanha assinou a rendição incondicional pondo fim na guerra na Europa, entretanto a guerra continuou no pacifico até setembro quando o Japão se rendeu após as duas bombas atômicas jogadas em seu território.

Assinala Wilson de Oliveira Neto que Joinville seguiu outras cidades brasileiras e comemorou muito o 8 de maio:

Na praça Nereu Ramos e na rua do Príncipe aconteceram manifestações e desfiles dos quais participaram civis e autoridades joinvilenses (NETO, 2008, p. 105).

Imagem 25: Desfile em comemoração ao fim da guerra na Europa, possivelmente na Rua do Príncipe apud OLIVEIRA NETO, Wilson ; OLSKA, Marilia Gervasi . O Exército e a cidade. 1. ed. Joinville: Editora UNIVILLE, 2008. p. 105.
Imagem 26: Desfile em comemoração ao fim da guerra na Europa, possivelmente na Rua do Príncipe apud OLIVEIRA NETO, Wilson ; OLSKA, Marilia Gervasi . O Exército e a cidade. 1. ed. Joinville: Editora UNIVILLE, 2008. p. 105.

Nas imagens vemos cartazes com as fotos de Vargas e curiosamente a foto do primeiro-ministro Winston Churcill além da várias bandeiras.

A segunda guerra mundial foi o evento mais simbólico e traumático do século XX que ceifou mais de 50 milhões de vida e teve um custo altíssimo passando de 1 trilhão. Foi um acontecimento que mudou para sempre a história do mundo e redesenhou a geografia do planeta.

5. Referências:

BRASIL, Ministério da Guerra, Boletim Especial do Exército. Os Mortos da FEB, Rio de Janeiro, MG, 1948.

Brasil, Ministério da Guerra. Roteiro da FEB, Rio de Janeiro, 1945.

GAZETA DO POVO. Os pracinhas na 2ª Guerra. Disponível em: https://especiais.gazetadopovo.com.br/pracinhas-na-segunda-guerra/. Acesso em: 3 nov. 2019.

GUEDES, Sandra Paschoal Leite Camargo ; OLIVEIRA NETO, Wilson ; OLSKA, Marilia Gervasi . O Exército e a cidade. 1. ed. Joinville: Editora UNIVILLE, 2008. p. 86.

LEIS MUNICIPAIS. Lei nº 17 de 1948. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a1/sc/j/joinville/lei-ordinaria/1948/2/17/lei-ordinaria-n-17-1948-dispoe-sobre-denominacao-de-rua?q=Rua+Hamonia. Acesso em: 3 nov. 2019.

LEIS MUNICIPAIS. Lei nº 359/72 de 1972. Disponível em: https://leismunicipais.com.br/a/sc/j/jaragua-do-sul/lei-ordinaria/1972/36/359/lei-ordinaria-n-359-1972-fica-denominada-de-expedicionario-antonio-carlos-ferreira-a-rua-61-desde-a-avenida-marechal-deodoro-da-fonseca-ate-a-rua-40-victor-rosemberg?q=Antonio+Carlos+Ferreira. Acesso em: 3 nov. 2019.

PETROSKI, Maria José. Praça Monte Castelo – Joinville. Disponível em: http://familiapetroski.blogspot.com.br/2014/12/praca-monte-castelo-joinville.html. Acesso em: 28 mai. 2015.

PINTO, Paula Moura de Henrique. Lista Detalhada Dos Mortos Da F.E.B Na Campanha Da Itália. Disponível em: http://henriquemppfeb.blogspot.com.br/2012/07/lista-detalhada-dos-mortos-da-feb-na.html. Acesso em: 28 mai. 2015.

Arquivos Genealógicos:

IGREJA LUTERANA DA PAZ. Livro de batismos.

IGREJA CATÓLICA SAGRADO DE JESUS. Livro de batismos.

FAMILY SEARCH. Registros civis de Joinville.

Acervo pessoal de Wilson de Oliveira Neto.

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