ZUMBI DOS PALMARES E O NEGACIONISMO HISTÓRICO

Desde de 2011 com a lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011 foi instituído o dia da Consciência Negra para celebrar a morte do líder negro Zumbi dos Palmares e promover ações contra a discriminação racial. Contudo a guerra de imagens em torno da figura de Zumbi é muito mais antiga do que pensamos. Desde a colônia, passando pelo império e chegando aos dias atuais, Zumbi ganhou roupagens das mais diversas atendendo aos anseios dos contextos de produção.

Comparado a outros personagens históricos brasileiros são poucos os documentos que trazem informações precisas sobre Zumbi. Os documentos principais se encontram nos arquivos brasileiros e portugueses. Alguns deles já estão disponíveis para a consulta na Internet.

Nos últimos anos o movimento negacionista brasileiro vem buscando impor algumas afirmações sem fundamento histórico sobre Zumbi dos Palmares, tendo seu principal expoente em Leandro Narloch com o seu Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. Sua tese principal é a de que Zumbi tinha escravos e isso seria uma obviedade.

Suas declarações não resistem a um exame mais apurado de seu texto. É possível perceber a falta de documentos para corroborar o que propõe e nas poucas vezes que apresenta ou tenta apresentar alguma documentação classifica eles de forma errada como atribuir um trecho sobre Palmares ao Diário do capitão holandês João Blaer de 1645, quando se trata da Relação das guerras feitas aos palmares de Pernambuco no tempo do governador D. Pedro de almeida, de 1675 a 1678.

Cai em sua própria armadilha ideológica ao criticar a historiografia marxista, porém usa como referência Edison Carneiro um dos marxistas mais conhecidos para inferir sua hipótese sobre Zumbi ter escravos. Como não dispõe de provas para provar sua conjectura durante o texto usa a falácia retórica causal que pode ser resumida em com isso, logo, por causa disso onde observa-se que apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estariam relacionados.

Em suma se a escravidão ocorreu no século XVII e Zumbi também viveu no mesmo período eles estão relacionados e segundo o autor “obviamente” ele teve escravos por viver em um período escravocrata. A falácia como já denota é um argumento falso com aparência de honesto. É incoerente, sem fundamento nenhum, como é o caso de Leandro Narloch.

Senão bastasse tudo isso ao final do texto usa um suposto documento elaborado pelo rei de Portugal a Zumbi lhe oferecendo a liberdade em troca de que se entregasse. Mais uma vez sem perceber reproduz um documento de um autor marxista que tanto crítica e ainda por cima com grandes chances de ser forjado.

O negacionismo constrói uma rede de minimizações até chegar ao resultado final: a negação. É preciso entender as disputas entre história e memória na atualidade para só assim entender a permanência da discriminação racial.

Quadro de Antonio Parreiras. Sine die. Domínio público.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s