Emil ODEBRECHT: um ilustre POMERANO

Atualmente quando escutamos o nome Odebrecht, costumeiramente o associamos aos escândalos tão recorrentes nos noticiários. Sempre há dois lados da história, e aqui, queremos expor um pouco sobre a origem desta família e a relevância do Pomerano engenheiro Emil Odebrecht, imigrante que foi fundamental para a estruturação da colônia Blumenau. A história da família Odebrecht é secular em terras europeias e a de Emil Odebrecht inicia muito antes de pisar em terras brasileiras. Ele nasceu em 29 de março de 1835 na vila de Jacobshagen no Kreis de Saatzig na antiga Pomerânia Oriental (região que na ocasião pertencia ao Reino da Prússia, atualmente território Polonês). Seu pai exercia a profissão de juiz de direito na região, e mais tarde, por volta de 1845/46 foi transferido para Anklam na Pomerânia Ocidental (Vorpommern), onde Carl Wilhelm Emil Odebrecht (esse é seu nome completo) cursou o ginásio que terminara aproximadamente com 20 anos de idade. Naquela ocasião o assunto “América” era recorrente entre os jovens. As propagandas das agências de imigração eram fascinantes, pregavam sobre a liberdade, a igualdade, a fartura de terra de graça para todos, ou seja, possibilidades ilimitadas. Emocionantes histórias eram ventiladas pelos agentes de imigração como a riqueza do Novo Mundo, os índios e aventuras mirabolantes. Odebrecht e alguns colegas foram “se inclinando” para uma possível imigração à América do Sul, mesmo que na época cerca de 90% dos imigrantes teutos optavam pela América do Norte. Emil e seus colegas de Anklam certamente ouviram falar da Colônia do Dr. Blumenau e do curioso fato de que o naturalista e botânico Dr. Fritz Müller que havia estudado em Greifswald, emigrara para a região do Vale do Itajaí no Brasil. Acabaram então se decidindo pela imigração para a América do Sul. Emil Odebrecht imigrou para o Brasil em 23 de dezembro de 1856, quando pisou pela primeira vez na Kolonie Blumenau, ficou alguns meses e voltou para a Alemanha para iniciar ou continuar seus estudos de engenharia geodésica (área voltada para o estudo da terra e medições de solos). Mas antes de voltar para Anklam, comprou um lote de terra na Colônia Blumenau e resolveu naturalizar-se, deixando claro que iria voltar ao Brasil. Em 1861 ele retorna ao Brasil já como engenheiro formado pela Universidade de Greifswald e em 1864 se casa com Bertha Bichels e vão morar em seu lote de terras que se localizara na margem esquerda da estrada Garcia (bairro em Blumenau – atualmente na proximidade dos fundos do terminal rodoviário Fonte). Ao irem para sua modesta casa, deve ter dito ou cantado na língua que ambos haviam aprendido antes do alemão padrão: “Hier is mine Heimat, hier bün ick to Hus” (aqui é a minha pátria, aqui eu estou em casa). O casal teve 15 filhos e esses filhos também tiveram famílias grandes e deixaram muitos descendentes pelo Brasil e mundo à fora (um dos netos de Emil migrou para a Bahia e lá criou a construtora Isaac Gondim e Odebrecht Ltda). O imigrante Pomerano Odebrecht começou a trabalhar como engenheiro para a Colônia Blumenau e para o Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas no começo do ano de 1862, direcionando seus trabalhos para a medição e o piqueteamento de lotes coloniais (Kolonielose), bem como, a exploração e o levantamento de diversos ribeirões nos arredores de Blumenau, a abertura de linhas e rumos de medição e elaboração das respectivas plantas. Dedicou boa parte de sua vida profissional à agrimensura, à geodesia com base na astronomia e à cartografia, seus levantamentos topográficos, ou suas medições eram muito exatas e até os dias atuais engenheiros com instrumentos sofisticados ficam admirados com a exatidão dos pontos geográficos determinados por ele. No Vale do Rio do Testo sua atuação foi determinante e grande parte dos lotes foram definidos por ele, a exploração da região iniciou na foz do Rio do Testo (rio que “corta” a cidade de Pomerode e deságua no rio Itajaí Açu). Num trecho de carta enviada para sua irmã Marie na Europa, Emil destaca em 26 de agosto de 1862: “(…) fiz uma extremamente longa expedição ao Rio do Testo (…)”. É de extrema importância esse registro de Emil numa de suas cartas, pois deixa claro que o início efetivo da exploração para definição dos lotes coloniais em Pomerode ocorreu no ano de 1862. A expedição que Emil realizou ao Rio do Testo, inclusive foi para ele um “divisor de águas”, pois em determinados pontos pode avistar os vales do Rio dos Cedros e do Rio Benedito (Timbó), e mais na direção leste o Vale do Rio Itapocu (Jaraguá do Sul). Depois fez várias outras importantes expedições, entre elas ao Alto Vale e a Estrada Itajaí/Blumenau. Mas vamos nos ater a relevância de Emil Odebrecht para o Vale do Rio do Testo. No final do ano de 1863, Odebrecht foi encarregado de explorar o terreno desta região com o propósito de uma futura estrada de ligação entre Blumenau e Joinville, e já em janeiro de 1864 o engenheiro sobe novamente o Rio do Testo de canoa e em seguida a pé, até perto de sua nascente, depois de enfrentar de forma exaustiva a mata virgem em idas e vidas durante dois dias, acabou encontrando um lugar apropriado na encosta da serra para vencê-la e futuramente construir a estrada que ligaria as colônias de Blumenau/Joinville. Ao descer a serra em direção à Joinville encontrou as águas da região que mais tarde receberiam o nome de Rio Cerro e Rio da Luz. Em seu relatório Odebrecht destaca que as terras são de boa qualidade nas encostas e nas vargens dos rios em ambos os lados da serra. Havia se cumprido a missão de Odebrecht que era explorar e estudar a região quanto a agricultabilidade, a topografia, a possibilidade de dividi-la em lotes coloniais e principalmente descobrir e sinalizar onde seria possível e mais fácil abrir uma estrada que ligasse Blumenau e Joinville. Ligar as duas colônias era uma meta importante, nesse sentido o Vale do Rio do Testo (Pomerode) exerceu um papel pioneiro e determinante para o desenvolvimento da região. Para se ter uma ideia da relevância do engenheiro Odebrecht para a definição das estradas e lotes em Pomerode, seguem as famílias imigrantes que foram assentadas em lotes piqueteados por ele: Weege, Havenstein, Hartmann, Koch, Kühl, Klitzke, Ottmann, Lach, Krüger, Arndt, Glatz, Volkmann, Berner, Siewert, Just, Gnewuch, Güths, Hoge, Maass, Reinke, Hein, Radünz, Ramthun, Grützmacher, Hornburg, Reinecke, Spredemann, Strelow, Kath, Greul, Horney, Bosse, Schaldach, Kollath, Zeplin, Lindemann, Ehmke, Zastrow, Riebe, Riemer, Jandre, Klemann, Hoppe, Achterberg, Gustmann, Lemke, Schumann, Holz, Nienow, Winkler, Priebe, Radtke, Dallmann, Küster, Schröder, Rahn, Siefert, Lenz, Köhn e Schwanz. A Biografia de Emil Odebrecht é ampla e extremamente rica, não é possível explorá-la de forma plena neste artigo, considerando que ainda foi tenente da Guerra do Paraguai, Inspetor da Repartição Geral dos Telégrafos e muitas outras atividades. De fato, quando falamos de colonização do Vale do Itajaí o engenheiro Pomerano/Brasileiro é presença certa, sendo retratado nas mais diversas literaturas como um homem idealista e um funcionário público exemplar que não admitia a si próprio usar o cargo para qualquer proveito particular. Sua integridade, austeridade, e a permanência coerente com suas ideias, completam o modelo digno de um representante Pomerano/Prussiano.

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