PATRIMÔNIO HISTÓRICO X BRIGA PELA MEMÓRIA

A página Museologia da Zoeira com cerca de 19 mil seguidores publicou o seguinte meme recentemente em relação a situação do Chile.

No meme a cantora Joelma ficaria triste por saber que vários monumento foram destruídos no Chile, porém depois fica alegre ao saber que são de colonizadores no caso monumentos exaltando os espanhóis.

A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas sorrindo, texto
Imagem: Meme publicado na página Museologia da Zoeira.

A imagem suscitou muitos debates.

De um lado pessoas defendendo que a ideia do meme não passava de simples apologia ao vandalismo ou relativização da depredação do patrimônio histórico material. Do outro lado foi defendido que faz parte da dinâmica da história a destruição de símbolos dos vencedores e que não se deve deixar a vista monumentos que exaltem os vencedores e que era apenas um pedaço de material que não sente dor.

Também cada um dos lados usou um exemplo para defender sua posição. O lado que defendia a destruição argumentou que se preservasse esses monumentos não haveria problema moral em resguardar um monumento em homenagem aos nazistas por exemplo. O outro lado aventa que estimular a depredação é pensar parecido ou igual o Estado islâmico que tem acabado com todos os patrimônios por onde passa.

Antes de tudo:

Destruir o patrimônio público é crime conforme o artigo 163 do código penal.

Eu penso que a história deve ser vivida e as feridas devem ser cicatrizadas através dos eventos traumáticos. Tentar apagar a história só interessa aos negacionistas. Ou como coloca Pierre Vidal-Naquet revisar a história não é nega-la.

Lembramos da velha lição de Le Goff todo monumento é um documento e vice-versa, cabe ao historiador não ser ingênuo e submeter a fonte (monumento) a critica documental.

Ainda persiste a questão: seria moralmente condenável manter por exemplo uma estátua representando algum líder nazista.

Penso que não. A estátua como fonte para o bem ou para o mal é uma forma de acessar o passado como propõe Lowenthal.

Caso aceitemos a proposta de destruir a suposta estátua não teria problema em destruir todas as fontes primárias produzidos pelos nazistas e seus aliados. Aí que mora o cerne da questão, pois só foi possível denunciar o crime nazista ao mundo com o respaldo desses documentos.

Se com a extensão documentação primária o genocídio judeu já é alvo constante dos negacionistas, imaginem na ausência deles em nome de apagar uma suposta propaganda a ideologia. Afinal como nos adverte Arthur Avila de minimização em minimização se chega ao negacionismo.

A história é a ciência do constante refazer.

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