Padre Luiz Fachini e a ditadura militar

Um pouco da vida de Luiz Fachini nos anos de chumbo:

Mesmo no final da década de 70, em que pelo Brasil afora se discutiam a abertura política, a anistia geral e a construção de novos movimentos populares, em Joinville ainda se convivia com situações de extrema violência, de perseguição política e ideológica.

O ator em cena dessa vez era um padre da Igreja Católica ligado às Comunidades Eclesiais de Base – CEBs -, que iniciou em Joinville um trabalho de evangelização conscientizadora, no início dos anos. Os trabalhos comunitários desenvolvidos pelas CEBs tinham como objetivo refletir sobre a realidade econômica e social dos trabalhadores, conscientizando-os dos seus direitos. Essa prática era vista como subversão. Por esse motivo, o Serviço Nacional de Informação – SNI – entrevistou o padre Luiz Fachini, questionando-o sobre suas atividades. [1]. A partir daí ele e sua paróquia foram vítimas constantes de perseguições, acusações e ameaças. Segundo padre:

Esse tipo de suspeita atrapalha nosso trabalho, que é imbuído das melhores intenções. Mas é a tal história, qualquer trabalho que visa minorar o sofrimento do povo tão explorado pelas contradições do capitalismo é considerado subversivo e contrário à segurança nacional.

Em 1978, vários acontecimentos envolveram o padre e sua paróquia. Inúmeras vezes recebeu acusações de ser subversivo, comunista, agitador. Sua ação política e evangelizadora incomodava as elites locais. […] Empresários, políticos da direita (filiados naquele momento à ARENA), o aparelho repressivo do Estado militar procuravam, por intermédio do desencadeamento da repressão (vigilância, ameaça), desarticular o trabalho que vinha sendo feito pelo padre Luiz Fachini na periferia da cidade.” (SOUZA, 2005, p. 232-234)

Referência:

SOUZA, Sirlei. Movimentos de Resistência em Tempos Sombrios. In: Sandra P. L. de Camargo Guedes. (Org.). Histórias de (I)migrantes: o cotidiano de uma cidade. 2ed.Joinville: UNIVILLE, 2005, v. , p. 193-245.

[1] – 6 Livro Tombo n° l – Histórico da Comunidade Cristo Ressuscitado – Bairro Floresta – Joinville/SC, 24 de Novembro de 1967.

As perguntas feitas pelo SNI foram as seguintes:

1- Que trabalhos estavam fazendo?

2- O que é comunidade Cristã de Base?

3- Quem são os responsáveis?

4- Qual é a atuação política?

Fontes da Imagens:

Arquivo de São Paulo. DEOPS.

Jornal do Brasil, 5 de Dezembro de 1978.

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Ficha no DEOPS de Luiz Fachini.
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Jornal do Brasil, 5 de Dezembro de 1978.

Dossiê confidencial do Serviço Nacional de Informações em 29 de setembro de 1982 sobre as atividades do Padre Fachini É relatado sua fala na homilia em missa realizada no dia 14 de agosto de 1982 na paróquia Cristo ressuscitado:

Durante a missa realizada na Igreja Cristo Ressuscitado, em JOINVILLE/SC, no dia 14 Ago 82, o Pe LUIZ FACHINI, Pároco daquela Igreja, falou aos fiéis usando os seguintes termos:

– “… temos que tomar cuidado com o “DRAGÃO DEVORADORA” que massacra os pobres e lhes rouba a terra”.

– Criticou severamente o sistema de governo, taxando-o de corrupto e mandou que os fiéis “tomasse cuidado com o dragão, em novembro;

– Criticou os “crimes de esterilização das mulheres e o aborto”, citando o Gen SERPA como um dos “contestadores do crime”;

– Comentou que as Comunidades Eclesiais de Base estão atualmente organizadas e “apresentam sensíveis progressos”.

– Convidou todos os presentes a compareceram ao DIA DO PROTESTO, dia 31 Ago 1982, às 20 00 hs na Igreja Cristo Ressuscitado, onde seriam abordados os seguintes assuntos:

A. Contra a condenação dos Padres franceses;

B. Contra a condenação dos posseiros;

C. Contra a miséria e a falta de emprego;

D. Contra o sistema;

– Convidou ainda para que comparecessem dia 17 Ago 82 na Câmara Municipal de JOINVILLE/SC, para acompanhamento sobre o “passe do operário”.

Fonte: Arquivo Nacional.

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Jornal Extra dezembro de 1978. CCC contra o Padre Fachini.

Em carta endereçada a ele desejam um péssimo natal e que se realize o confronto final

Dom Gregório repudia a carta.

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