17 de janeiro de 1808 – Chegada primeiros navios ao Brasil – Família Real Portuguesa

No dia 17 de janeiro de 1808 – Chega ao Rio de Janeiro a primeira parte dos navios vindo de Portugal com a Família Real.

Apesar das agruras e dos perigos, não há notícia de mortes ou acidentes fatais durante a viagem. O navio trazendo D. João VI aportou em Salvador em 22 de janeiro e, no Rio, apenas em 7 de março.

A viagem da Família Real

Em 1807, a esquadra portuguesa levou quase dois meses para atravessar o oceano Atlântico. Os relatos sobre a viagem são incompletos e confusos, mas sabe-se que foi uma aventura repleta de aflições e sofrimentos. Antigas e mal equipadas, as naus e fragatas portuguesas viajavam apinhadas de gente. Na nau capitânia Príncipe Real, que levava Dom João e a rainha Maria I, iam 1054 pessoas.

Pode-se imaginar a balbúrdia. Com 67 metros de comprimento, 16,5 metros de largura, três conveses para as baterias de tiro dos seus 84 canhões e um porão de carga, o navio não tinha espaço para tanta gente.

Muitos passageiros e tripulantes dormiam ao relento, no tombadilho. “O suprimento de água era insuficiente, a comida, pouca, e a peste bubônica perseguia os emigrados nos camarotes superpovoados e anti-higiênicos”, registrou o historiador Alan K. Manchester a respeito dos navios da esquadra portuguesa.

Nos primeiros dias de viagem, enquanto ainda estavam no hemisfério norte, ondas fortes despejavam água gelada sobre o convés superlotado, onde os marinheiros trabalhavam em meio ao nevoeiro e às rajadas de vento frio. Com vazamentos no casco, os barcos faziam água copiosamente. Muitos tinham as velas e cordas apodrecidas. O madeirame gemia sob o impacto das ondas e do vento, espalhando o pânico entre os passageiros não habituados às agruras do oceano. Náuseas coletivas tomaram conta de todos os navios.

Depois de algumas semanas, já na altura da linha do Equador, o frio do inverno europeu deu lugar ao calor insuportável, agravado pela ausência de ventos numa região do Atlântico famosa pelas calmarias. O excesso de passageiros e a falta de higiene e saneamento favoreceram a proliferação de pragas.

No “Alfonso de Albuquerque”, em que viajava a princesa Carlota Joaquina, uma infestação de piolhos obrigou as mulheres a raspar os cabelos e a lançar suas perucas ao mar. As cabeças carecas foram untadas com banha de porco e pulverizadas com pó antisséptico.

Fontes

Texto de La Durlindana.

  • “1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil”, de Laurentino Gomes (2014)
  • ARTE: Reprodução da chegada da família real portuguesa ao Brasil – Pintura assinada por Geoffrey Hunt. Neste quadro está representada a nau “Príncipe Real”, com os navios da esquadra portuguesa que a acompanhou, tendo chegado ao Rio de Janeiro em 7 de Março de 1808, transportando o Príncipe Regente Dom João.

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