Morro do Tromba – Historia

Sempre digo que o montanhismo brasileiro não possui um lugar de origem, mas sim, foi a junção de uma série de manifestações em diversos lugares simultaneamente.
Muito obrigado Brigitte Brandenburg por traduzir e compartilhar essa jóia do montanhismo de Joinville.

1880 – A Escalada do MORRO da TROMBA, no primeiro dia de Pentecostes. (artigo não assinado, autor desconhecido)
No dia 16 de maio, às 6:30 horas da manhã, seis (6) aventureiros saíram, a partir da Serraria dos Príncipes, para uma escalada ao Morro da Tromba (Rüsselberg) situado à frente. A subida foi feita a partir da encosta Norte, e a chegada ao ponto mais alto do Morro ocorreu às 11:50 horas. Muitas vezes as dificuldades enfrentadas durante a escalada pareceram invencíveis.
Logo o caminho se apresentou apenas como uma crista estreita, da qual, pelos dois lados, os olhos se deparavam com precipícios; em seguida longos trechos, quase na vertical, tiveram que ser escalados; algumas vezes, a mínima vibração ocasionava a movimentação de pedras soltas que rolavam nas profundezas; outras vezes se ocultavam pontas e espinhos sobre mãos e braços persistentes.
Aproximadamente no local onde se inicia a terceira parte do morro desaparecem nossas conhecidas palmeiras, desaparecem os cedros e as canelas, como praticamente todas as espécies de árvores mais altas. Por esta razão, quase toda árvore ou arbusto de pontas mais agudas se apresenta dura e áspera. O Morro é todo coberto de floresta e vegetação da base até o topo, e mesmo que as maiores árvores presentes na base sejam mais raras aqui no alto, ainda assim a mata se apresenta tão alta e fechada, que levará muito tempo ainda até que possa ser degradada à categoria de sub-vegetação (mata secundária), como no início se imaginou.
Para botânicos e amigos da horticultura aqui é um campo abundante, de forma que os sacrifícios e esforços precedentes são enormemente recompensados. Apenas para mencionar, ocorrem diferentes Gloxínias, três variedade de Begônias ainda totalmente desconhecidas em Joinville. Amarilis e uma cana-do-reino (Arundo donax), em geral compacta, extremamente resistente, e quanto à aparência não deixa nada a desejar em relação à denominada “cana espanhola”.
O panorama a partir do topo do Morro em dia claro é realmente magnífico, para dizer o mínimo. À esquerda avista-se Pirabeiraba, à direita Joinville; um pouco adiante, no meio, o Rio Paraty, um pouco antes a baía de São Francisco, e bem no fundo o Mar em si.
Somos tomados pela consciência da forma como a altura e a gradiosidade do Morro da Tromba se projeta sobre o seu entorno a partir da perspectiva maravilhosa que se desenrola perante nossos olhos.
Às 4 horas da tarde a paisagem abaixo do Morro foi tomada por uma neblina espessa, e poucos minutos após, toda a região formou um cenário de uma massa de neve impenetrável. Aos observadores que perceberam o fogo dos turistas no topo do Morro, assinalamos que foi erguida também uma bandeira, elaborada com três lenços amarrados uns aos outros, presa a uma haste de bambu, e fixada em uma árvore alta.
Os escaladores da montanha pernoitaram no seu topo em uma cabana simples, de onde se ocuparam em apreciar o por do sol de beleza indescritível, e às 6:15 hrs da manhã iniciaram partida de retorno para casa.
Para a descida foram necessários apenas três horas. Pouco antes de alcançar novamente a Serraria dos Príncipes, o grupo tomado então por uma sensação de contentamento, foi surpreendido por um banho muito desagradável. As comportas do céu se abriram e regaram o Morro da Tromba, como toda a vasta redondeza com jarros incessantes.
Caso outros amantes da Natureza queiram empreender a recompensadora escalada deste Morro, serão bem-vindos para percorrer uma picada feita até seu objetivo e no topo um acampamento pronto, com lenha à disposição.
No entanto, a água, em forma de fonte ou lagoa, não existe lá no alto; para isto, a taquara que ocorre de forma natural e abundante, contém nas suas canas um suprimento de um gostoso líquido que, em caso de necessidade, pode servir para cozinhar o café ou outra coisa.
Até onde soubemos, antigamente (ou anteriormente) o topo verdadeiro do Morro da Tromba havia sido alcançado* apenas pelos senhores Wunderwald, Hans Weber e Louis Duvoisin.
……………….
Fonte: publicado em: Kolonie Zeitung, 29/5/1880, nr. 22, ano 18, do acervo do Arquivo Histórico de Joinville.
(*) o topo foi alcançado no inverno de 1856 durante expedição exploratória da região, por August Wunderwald.
Observação: A partir desta data (1880) grupos da Sociedade Ginástica de Jlle passaram a escalar o Morro da Tromba anualmente, tendo como treinador, entre outros, Johann Paul Schmalz.
Tradução: Brigitte B.

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