NAZISTAS NO BRASIL, NAZISTAS ENTRE NÓS.

JOSEF MENGELE

Mengele se escondeu no Brasil e faleceu no dia 7 de fevereiro em Bertioga no ano de 1979.

Obviamente usava o nome falso de Wolfgang Gerhard que tomou emprestado de um amigo seu.

Abaixo o túmulo da mãe do verdadeiro Wolfgang Gerhard onde foi enterrado Mengele numa tentativa de esconde-lo.

Está sepultado no cemitério do Rosário em Embu das Artes.

Seus restos foram desenterrados e identificados através de um exame forense em 1985.

Ainda em 1992, testes de DNA confirmaram a identidade de Mengele. A família não quis atender os repetidos perdidos de autoridades brasileiras para repatriar os restos mortais para a Alemanha.

Os ossos permanecem armazenados no Instituto Médico Legal do estado de São Paulo por vários anos.

Atualmente são utilizados como auxílios educacionais durante os cursos de medicina forense da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Como é sabido Mengele usou documentos usando o nome falso do seu amigo Wolfgang Gerhard.

Pesquisando no site Family Search foi possível achar alguns documentos do verdadeiro Wolfgang Gerhard.

Imagem 1: Ficha consular de qualificação de Wolfgang Gerhard na sua chegada ao Brasil em 1949 ainda jovem com 23 anos. Só iria completar 24 anos em setembro.

Imagem 2: Temos o documento de saída do Brasil em 1971 com destino a Áustria e Alemanha. Ele então deixa seus documentos com Mengele que os falsifica para se esconder.

Imagem 3, 4 e 5: Carteira de identidade, Carteira Profissional e Carteira Nacional de Habilitação com dados de Wolfgang, mas com a foto de Mengele nos documentos.

Imagem 6: Boletim de Ocorrência de 1979 informando a morte de Wolfgang Gerhard em Bertioga. Na verdade, tratava-se de Mengele. O verdadeiro Wolfgang tinha morrido dois anos antes na Alemanha em 1977.

Imagem 7: Túmulo de Friderieke Gerhard onde foi sepultado e depois exumado. O túmulo fica no cemitério do Rosário em Embu das artes.

Imagem 8: Técnica de sobrepor imagens para provar que o crânio exumado era de Mengele.

Imagem 9: Relatório do atestado de morte de Mengele.

Relatório do atestado de morte de Mengele.

Fontes:

BBC, EL PAÍS, WIKIPÉDIA.

Links dos registros de imigração no Family Search:

  1. https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:33SQ-G5TV-9D2C?i=85&cc=1932363&personaUrl=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3AKCX4-5Y8
  2. https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3QS7-9965-XH17?i=556&cc=2140223&personaUrl=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3AQLSD-Z42R

FRANZ STANGL

Franz comandou os campos de Treblinka e Sobibór. Ex-policial do império Austro-húngaro se filiou ao partido nazista e ingressou nas fileiras da SS subindo rapidamente de cargo após anexação da Áustria pela Alemanha em 1938.

Prestigiado tornou-se chefe do programa de Eutanásia por ordens de Himmler. O objetivo era que pessoas com problemas físicos e mentais fossem mandadas para serem mortas.

Após isso comandou os campos de Sobibór de março a agosto de 1942 e Treblinka de setembro de 1942 a agosto de 1943. Certa vez indagado pela esposa sobre seu trabalho ao ouvir sobre as atrocidades ele respondeu:

[…] você sabe que não posso discutir assuntos sobre o serviço. Tudo o que posso dizer e você tem que acreditar em mim, se tiver algo errado, eu não tenho nada a ver com isso. […]

Após o fim da segunda guerra mundial. Foi preso pelo exército americano e ficou detido na Áustria. Com seu colega Gustav Wagner fugiu para a Itália e depois para a Síria com a ajuda de funcionário dos Vaticano liderados pelo Bispo Alois Hudal. Finalmente chegou ao Brasil em 1951.

Diferentemente de seus colegas Mengele e Wagner não usou nome falso no nosso país ou fazia questão de se esconder muito. Ao contrário foi funcionário da Volkswagen em São Bernardo do Campo de 1959 e 1967.

Segundo a comissão da verdade não era um simples trabalho. Ele montou na fábrica uma rede de espionagem para detectar possíveis opositores da ditadura militar:

A estrutura montada por Stangl – justamente para espionar funcionários – era complexa e contava com dezenas de policiais e membros das Forças Armadas. Ainda hoje, porém, a empresa argumenta que ninguém sabia sobre seu passado.

A Volkswagen chegou a recomendar um advogado para o defender após sua prisão em 1967 em conversas com sua esposa.

Teve a audácia de se registrar no consulado austríaco no Brasil com seu nome verdadeiro em 1961. Porém somente em 1967 o nazista foi preso pela Polícia Federal ser rastreado por Simon Wiesenthal durante vários anos.

Nunca se descobriu o porquê da demora de sua prisão mesmo ele não ocultando sua identidade.

Não teve a mesma sorte de seu amigo Gustav Wagner e foi extradito pela Alemanha. Foi julgado e considerado culpado pela morte de 900.000 pessoas sendo sentenciado a prisão perpétua em outubro de 1970. Não durou muito e faleceu em Düsseldorf em junho de 1971 vítima de parada cardíaca.

Embora admitisse culpa também assim como Gustav Wagner usou a mentira e a dissimulação como guia sempre dizendo que suas ações eram apenas trabalhos que deveriam cumprir:

Minha consciência está tranquila. Eu estava simplesmente cumprindo minhas obrigações.

Imagem 1 e 2: Fotos de Franz.

Imagem 3: Ficha consular de qualificação mostrando sua entrada no Brasil.

Imagem 4: Registros de estrangeiros.

Fontes: DW, Wikipédia, Nazistas entre nós.

GUSTAV FRANZ WAGNER

De origem austríaca Gustav Wagner ficou conhecido como “a besta” ou “o lobo” pela sua crueldade no campo de concentração de Sobibór na Polônia.

Foi responsável pela morte de 250 mil pessoas.

Teve sua história ligado ao Brasil. Após o fim da Segunda Guerra Mundial foi julgado e condenado a morte. Entretanto conseguiu fugir para o Brasil. Tão logo chegou e já conseguiu passaporte, residência e um nome novo: Gunther Mendel.

Após muito tempo escondido e vivendo uma vida comum foi descoberto e trazido ao público em 1978 por Simon Wiesenthal que foi um ativista judeu sobrevivente da Shoah que procurava nazistas pelo mundo. Reza a lenda que Wagner foi descoberto no momento que comemorava o aniversário de seu ex-chefe Adolf Hitler. Em 30 de maio de 1978 ele foi preso pelas autoridades brasileiras.

Em 1978 estávamos vivendo o período da ditadura militar e que tinha Henrique Fonseca de Araújo (pai de Ernesto Araújo) como Procurador-Geral da República.

Henrique dificultou a extradição de Gustav Wagner mesmo com vários países fazendo a solicitação ao Brasil como: Polônia, Áustria, Israel e a própria Alemanha. Araújo com exceção recusou os pedidos com exceção da Alemanha mediante condições.

A ação acabou beneficiando o nazista, pois o caso foi parar em 1979 no STF que recusou todos os pedidos de extradição por maioria que garantiu a permanência de Wagner no Brasil.

No mesmo ano de 1979 concedeu entrevista a BBC não demonstrando nenhum tipo de arrependimento por seus atos:

Eu não tinha sentimentos… Acabou se tornando outro trabalho. À noite, nunca discutíamos o nosso trabalho, apenas bebíamos e jogávamos cartas.

Pouco tempo depois em 1980 Wagner cometeu suicídio na cidade de São Paulo provocando uma lesão em seu peito usando uma faca.

Há quem diga que não foi suicídio…

Em 1978 ficou frente a frente com um dos seus prisioneiros. Na imagem vemos o nazista Gustav Wagner cara a cara com Stanislaw Szmajzner.

Um resumo publicado no Jornal do Brasil da conversa entre eles:

– “Como vai, Gust?”.

A pergunta foi feita em alemão pelo homem careca, de bigode, que entrava na sala, rapidamente, a outro, vestido rusticamente, grisalho, alto e forte, de pé. Frente a frente dois sobreviventes do campo de extermínio nazista de Sobibor, na Polônia: o carrasco Gustav Franz Wagner e a vítima Stanislaw Szmanjzner.

A sala do delegado Silvio Pereira Machado do DOPS de São Paulo, estava cheia de agentes, quando a cena aconteceu ontem, às 14h 15m. Os dois homens, de pé, continuaram a se medir, um perguntando para o outro, em alemão e em português, e o outro também respondendo com perguntas e evasivas.

Szmajzner lembrou-se do apelido carinhoso pelo qual Gustav Franz Wagner era tratado apenas na intimidade da caserna junto com seus companheiros de SS e o usou como uma arma, Em vão. O homem manteve-se tranquilo e sorridente.

– Você vai se lembrar de mim, Gust. Eu sou aquele menino judeu que chegou no transporte e você separou para trabalhar com jóias.

– Ah, Claro. Separei você e seus três irmãos.

– Um irmão, um cunhado e uma prima, que você separou para ser sua criada, em Sobibor.

– É. Eu salvei você.

– Vou contar uma história. Eu ajudei a construir aquele ninho dos passarinhos, em que você morava com três amigos.

Stanislaw Szmajzner estava visivelmente emocionado. Gustav Franz Wagner manteve-se firme, irredutível, com a voz firme, mas com a mão direita tremendo, para trair sua emoção. Baixou os olhos e não desmentiu.

– Vocês mataram meu pai e minha mãe. – E então o polonês relembrou os transportes de judeus em vagões de gado no inverno gelado da Europa Oriental e a recepção, em que muitas vezes soldados, como Wagner, metralhavam judeus nus que se encaminhavam para as câmaras de gás, chamadas ironicamente de “banheiros”.

– Se eu não o tivesse separado, você não estaria aqui hoje – disse Wagner antes de deixar a sala.

Depois os dois se encontraram mais duas vezes. A frente das câmeras de uma emissora de televisão Stanislaw Szmajzner acusou Gustav Franz Wagner de todos os crimes que ele teria praticado em Sobibor. Wagner manteve-se tranquilo, respondendo: “Você não sabe o que fala”; “você está mentindo” ou é “mentira”.

– Seja macho como nós fomos homens lá nos campos. Nos morremos lá nos campos. Agora diga o que você fez por lá – disse o polonês.

O austríaco pediu um cigarro. O polonês ofereceu o seu: “Quero ter o prazer de lhe dar o cigarro, pois quando o pedia você não me dava lá no campo”.

No salão nobre, na antessala do diretor do DOPS, delegado Romeu Tuma, na presença do delegado Silvio Pereira Machado, ante as câmaras de outras emissoras de TV, Gustav Wagner disse tranquilo:

– … minha vida já acabou mesmo…

– Você viveu 36 anos de presente? Ainda tem coragem de dizer isso?

– Você há de pagar por tudo. Ainda vai sofrer.

– Que petulância a sua – grita Szmajzner, quando Wagner vai sendo levado embora pelos policiais. Por que vou pagar mais ainda? Já paguei demais e você sabe. Pelo jeito que você fala quer mostrar aos outros que estava apenas plantando rosas em Sobibor. Mas você e a História sabem que não é verdade. Você viveu 36 anos depois de tanta maldade e ainda pretende ameaçar-me?

Fontes: Aventuras na História, Wikipédia, Superinteressante, Jornal do Brasil, 1 de junho de 1978. Páginas 1 e 25.

Imagem 1: Wagner conversando com sua vítima Stanislaw Szmajzner.

Imagens 2 e 3: Fotos de perfil de Gustav Wagner.

Imagem 4: Wagner em frente ao campo de concentração Sobibór.

Imagem 5: Wagner, já idoso, quando morava em Atibaia (SP).

Imagens 6 e 7: Documentos de imigração e entrada no pais.

Imagem 8: Documento impedindo a saída do país de Gustav Wagner. DOPS.

Imagem 9: Wagner após tentativas de suicídio já em estado psíquico ruim. Revista Manchete, edição 1487, 1980.
Imagem 10: Caixão de Wagner sendo conduzido até à sepultura. Revista Manchete, edição 1487, 1980.

GUNTHER SCHOUPEÉ

Segundo Derek Destito Vertino no portal FEB:

O personagem Gunther Schoupeé passou a ser reconhecido na bibliografia nacional desde 2013 e a sua trajetória foi objeto de estudo na obra de Pedro Burini, intitulado “O Anjo da Morte em Serra Negra“.

Apesar do livro focar a estadia de Josef Mengele em Serra Negra no período entre 1961 a 1969, a obra projeta a passagem de Gunther que nunca foi acusado ou julgado por crimes de guerra.

Gunther era cabo da Schutzstaffel (SS), foi ferido na Frente Russa como membro de uma Divisão de Tanques Leves e transferido para servir no Campo de Concentração de Auschwitz.

A sua participação na Segunda Guerra Mundial é muito clara, mas a sua formação como Engenheiro coloca em dúvida a sua baixa patente e sobre o que realmente fez durante o período.

Ele adquiriu o seu visto permanente para o Brasil em 1951, passou a frequentar Serra Negra em 1957 e fixou residência na década de 1970 no bairro do Barrocão.

Apesar do seu falecimento em 1990, Schoupeé deixou como legado a arquitetura de sua casa […]

Morreu em 7 de agosto de 1990 em Serra Negra onde está sepultado. A causa foi um acidente vascular cerebral e parada cardíaca, conforme documento da Funerária Central de Amparo.

Imagem 1: Ficha consular de Gunther.

Imagens 2 e 3: Casa de Gunther em Serra Negra.

Hans Ulrich Rudel – O contato de Mengele

Esse aqui é o Hans Ulrich Rudel – uma lenda da aviação, o único que recebeu a mais alta condecoração alemã durante o III Reich, por ter destruído mais de 519 tanques, 800 veículos de todos os tipos, 150 peças de artilharia, inúmeras pontes, 70 embarcações anfíbias, um encouraçado, um cruzador, um destroyer e nove aviões soviéticos.

Mas foi nazista até o fim e alertou Mengele na Argentina de que a Alemanha pedia a sua extradição, o que o fez fugir para o Paraguai.

Não foi acusado de crimes. Entrou duas vezes no Brasil, uma delas usando um nome/documento ridiculamente falso: “Juan Ulrico Rudel”.

Imagens 1 e 2: Fichas consulares da entrada de Rudel no Brasil em 1951 e 1960. A primeira com nome falso e a segunda com o nome verdadeiro:

ARIBERT HEIM

Austríaco de origem, ficou famoso pelo apelido de Doutor Morte. Aos 21 anos adere ao Partido Nazista. Filho de policial, estudou medicina na Universidade de Viena. Em 1938 junta-se a SS sendo o membro 367.744. Serviu no campo de concentração de Buchenwald e por seus serviços foi nomeado médico-chefe em Mauthausen onde calcula-se morreram 118 mil prisioneiros. Também atuou no campo de Sachsenhausen.

Realizou diversas experiências médicas sem anestesia usando os prisioneiros como cobaias. Texto a eficácia de venenos injetados no coração das vítimas. Não por acaso ganhou o apelido de Doutor Morte. Estima-se que suas experiências que duraram aproximadamente dois meses em Mauthausen 300 mortes.

Em 1941 Heim integra-as a Wafen-SS. Em março de 1945 foi detido pelos aliados e somente foi julgado por ter participado da Waffen-SS. Ficou em um campo de trabalhos forçados até 1947 quando foi libertado.

Agora livre consegue trabalhar na sua área na Alemanha Ocidental. Aparentemente leva uma vida tranquila até 1961 quando é citado por um ex-nazi que estava sendo processado. Uma testemunha classifica-o como o Carniceiro de Mauthausen. É obrigado a desaparecer em 1962 prevendo que a polícia alemã viria em sua captura.

No documento abaixo podemos descobrir que ele passa rapidamente pelo Brasil em 1964. Adota o nome falso de Enrique Teodoro Francisco Klugkist Rosanowski como se pode ler no documento. Um dado curioso é que o passaporte foi expedido pelo Uruguai já em 1960 antes de ele ser citado no processo de 1961. E ainda teve seu passaporte renovado em 1962, ano da sua fuga e em 1964 quando passou pelo Brasil e ficou temporariamente a princípio.

No ano de 1967 sua família declara que ele teria falecido em decorrência de um câncer. Contudo as autoridades alemães e israelenses descobrem envios de dinheiros a uma conta em Berlim em seu nome no valor de 1 milhão de euros.

Simon Wiesenthal nos anos 70 caça Heim pede a justiça alemã que capture e julgue o nazista.

A procura permanece e em 2005 surge uma pista indicando sua localização possivelmente na Espanha.  A busca continuou pela década de 2000 a dentro sem sucesso.

Em 2007 o militar Danny Braz ao publicar seu livro afirma que Heim foi executado na Ilha Santa Catalina na costa da Califórnia por um grupo de apoio ao serviço secreto israelense. A hipótese foi descartada.

Em 2009 o canal alemão ZDF junto com o jornal The New York Times investigam o caso e descobrem que na verdade o criminoso nazista teria morrido em 1992 no Egito trabalhando como médico e usando nome falso.

Finalmente em 2012 a justiça alemã declara oficialmente a morte do nazista Aribert Heim.

Imagem 1: Ficha consular de qualificação de Aribert Heim usando nome falso:

Fontes:

Wikipédia.

Family Searchhttps://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939X-4R9S-ZF?i=87&cc=1932363&personaUrl=%2Fark%3A%2F61903%2F1%3A1%3AVRQL-NCS

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