GUSTAVE LUIZ LEBON

Texto de Antônio Roberto Nascimento

Não era francas de nascimento(1), senão belga e, ao que supomos, esteve ligado ao capítulo da colonização de Ilhota pela Sociedade Belgo-Brasileira de Colonização.(2)Faleceu em São  Francisco do Sul, aos 11 de novembro de 1876, quando era a gente e despachante da Colônia D. Francisca.(3).

Em 1867, foi nomeado Escrivão de Rendas de S. Francisco, em substituição a Anacleto Ladislau Ribeiro que foi para Joinville exercer o cargo de Coletor de Rendas.(4). Antes disso, exercera a função de Adjunto do Pranotar Público e de escrevente da Coletoria de Rendas Provinciais, tendo patente de Capitão da Guarda Nacional.(5) Militava no Partido Liberal, chefiado, em S. Francisco do Sul, pelo Tenente Coronel Francisco Mathias de Carvalho Júnior(6), que não usava o agnome. Amou a terra brasileira, onde passou a maior parte de sua vida.

Para seu relato biográfico, porem, e de mister acompanhar a vida de Benoit Jules de Mure, ou Bento Júlio de Mure, ou Dr. Benoit Jcsefh Mure(7), o fautor da Colónia Industrial do Saí, inspirada nas ideias socialistas de Charles Fourier.(8). Benoit Jules de Mure está intimamente ligado à História do Hareopatia no Brasil(9), posto que se lhe negue a primazia em tal mister.(10).

Não logramos descobrir a data aproximada da chagada de Gustave Luiz Lebon ao Brasil, mas deve ter sido por volta de 1844. Entretanto, o Dr. Benoit Jules Mure, em carta de 27/02/1841, noticia que sua mulher chegaria logo depois, a bordo do patacho “Bellico”, que traria também sua filha única, depois casada com Gustave.(11).

É muito provável que Gustave Luiz Lebon já estivesse em São Francisco do Sul por essa época, uma vez que a colonização belga de Ilhota tanibém inicia em 1841.

É muito provável, outrossim, que ele tenha ido morar em Itajal, umavez que lá, aos 14 de abril de 1851, nasceu sua C.Iha Luiza, batizada na freguesia de N.SÉ da Conceição de Itajaí pelo Rev. Vigário Francisco Hernandez, os 03/05/1852. Curiosamente o assento foi lavrado em São Franciscodo Sul pelo Vigário Colado Benjamim Carvalho de Oliveira.(12). Também não logramos descobrir a data de seu casamento com Camila Leodária Mure, filha legitima de Bento Mure e de sua mulher Úrsula Eugenia Lalhiniavo. Em tal registroeclesiástica, ve-se que Gustavo Luiz Lebon era filho de Luiz Jose Lebon e de Theresa Josefa Matheur, moradores em Bincher, Província de Hainout, na Bélgi-ca, onde ele, à certa, deve ter nascido.

Além dessa filha, o Capitão Gustave Luiz Lebon e Camila Leodadia Mure também tiveram o filho Eduardo, batizado aos 11/12/1853, em São Franciscodo Sul(13), que deve ser o Eduardo Luiz Lebon, despachante matriculado na Mesade Rendas de S. Francisco do Sul e, depois, escrivão da Coletoria e procurador da Sociedade Colonizadora de Hamburgo(14), radicado em Pelotas, a partir de 1874. Não era, pois, irmão de Gustave Luiz Lebon, que veio da Bélgica em novembro de 1844, senão seu filho. Seus padrinhos  foram o Dr. Eduardo Júlio Deyrolles e sua mulher Josefina Logeune(15), dos falansterianos do Sal e cujos descendentes, acompanhados da viúva, tomaram rumo ignorado, após residirem algum tempo no Rio de Janeiro, no campo de século XX, abandonando suas propriedades em São Francisco do Sul.(16).

A referida filha Luiza Lebon foi casada, ativez em Itajaí, com Alexandre Justino Regis, natural de São Miguel da Terra Firme, hoje Biguagi(SC), filho de Justino Francisco Garcia Sénior – não usava agnome – e de Florescia Rosa Garcia, parentes, ao que supomos, daqueles Garcias dos primórdios da Cam borió.(17) Alexandre Justino Regis era irmão de Justino Francisco Garcia Junior, que também não usava o agnome, casado, por seu turno, com Clarinda Luiza Garcia, filha do Capitão Alberto Jose Francisco da Silveira, natural da Capela de São João Batista de Itapocoróia, e de sua primeira mulher Luiza Inicia de Jesus, neto paterno de Jose Francisco da Silva ou da Silveira, natural da freguesia de N. s a das Necessidades da Ilha de Santa Catarina, e de Rosa Iniciada Jesus, natural da freguesia de S. Jose da Terra Firme,e materno de Jose Duarte e da Maria Inicia, também naturais de S. Jose.(18) Justino Francisco Garcia Fi lho foi o pai de Belarmino Justino Garcia, batizado aos 11-12-1864, nascido em junho daquele ano(19), que, pela Lei n2 979, de 30-08-1913, recebeu favores para a exploração de minérios no Parati, em Joinville, no Carpo Alegre e em S. Bento do Sul.(20) Em segundas núpcias, o Capitão Alberto Sose Francisco da Sil veira casou, aos 31-1-1873(21), com Maria Rita Garcia, natural de S. Miguel, filha natural de Rita Silvana de Jesus e de Justino Francisco Garcia Sénior. Era irmão de Joana Rosa de Sousa, casada, aos 22-1-1816(22), como luso João de Sousa, natural da freguesia de Santa Maria da Fonte Nova, filho de Manoel de Sousa e de Joaquina Maria, que a abandonou, por volta de 1826(23), com três filhos então menores: Jose Francisco de Sousa, Valentina Rosa e Florinda, depois casada com Bernardino Antônio Caetano. Em seguida, passou ela a viver com Thomás Antônio de Lemos, tendo de refugiar-se nas matas do então Sertão do Itapocú, em virtude de ordem de prisão contra ambos expedida e ate que o vigário de S. Francisco do Sul falecesse. Sobredito Thomás António de Lemos foi um dos mais importantes povoadores do sertão do Itapocu, onde foi assassinado aos 21/09/1869, com a idade de 70 anos(24), deixando quatro filhos: Ponciano António de Lemos, Deolinda da Graça Vieira, Lucinda Rosa Lima, Maria Thomásia da Concei ção Walter e Rosa Maria Caetana. Panciano António de Lemos foi casado com a viúva de Hilário António, Bárbara Maria da Graça, descendente do Capitão-Flor António Eugenio de Miranda Tavares, com quem teve a filha Única D. Maria Balbina de Miranda Lemos, casada, na sua vez, com o Coronel Procópio Gares de Oliveira (25). Já Deolinda foi casada com o Major Manoel António Vieira, do Parati, filho do Coronel António Vieira Sénior, natural do Rio de Janeiro e filho de pais açoritas(26).

Alexandre Justino Regis pertencera também ao Partido Liberal, comanda do por Jerónimo Francisco Coelho, ao qual pertenceria igualmente o Dr. Abdon Batista.(27) Além do filho Gustavo Lebon Rágis, teve talhem a filha Olga Adélai de, batizada aos 25/05/1885, em Joinville, nascida aos 14 de março do mesmo amo tendo por padrinhos Pedro Jose de Sousa lobo e sua consorte D. Adelaide Flora Caldeira Lobo, quando os pais são dado como lavradores e os avós maternos como naturais da Belgica.(28)

O Coronel Gustavo Lebon Regis nascera no lugar denominado Ribeirão da Corda, Município do Parati, aos 18/02/1874, sendo o primogênito de Alexandre Jus tino Regis, por hipocorístico “Xandoca”.(29) Foi casado com Jélia de Queirós— Nascimento, filha do farmaceutico João Gonçalves do Nascimento e de D. Januária Queróz do Nascimento, com quem teve dois filhos: Tenente-Coronel Júlio Lebon Regis, barbaramente assassinado na cidade de General .Cimara(RS), 30/011950, e Luiza Lebon Regis, nascida no Rio de Janeiro, aos 18/04/1903, e batizada em Itajaí casada, aos 18/06/1925, também no Rio de Janeiro, com o Dr. Mário Brás Pereira Games, nascido em Itajubá(MG), aos 18/06/1903, quinto filho do Dr. Wenceslau Brás Pereira Gomes, Presidente da República em duas ocasiões, com quem teve o filho Guswen Lebon Brás Regis, nascido no Rio de Janeiro e lá casado, aos 15/05/1950, com Maria Rodrigues de Castro, filha de Domingos Rodrigues de Castro e com descendência.(30)

Camila Leocedia Mure foi madrinha ao 22/12/1849, quando ainda era solteira, e aos 10/08/1850, quando já era casada(31), o que revela seu casamento entre tais datas, possivelmente em Itajaí. Ate então o nome de Gustave Luiz Lebon não e mencionado nos registros eclesiásticos francisquenses, a demonstrar que ele ainda lá não residia. Posto que tenham sido poucos os moradores de língua francesa em São Francisco do Sul, após o malogro do Falanstério do Sal(32), ainda assim foi bem expressiva a representação do idioma gaulês na região. Muitos franceses chegaram a terras francisquenses muito antes da Colónia Industrial, como foi o caso do ferreiro francês Henrique Marins Doin, chegado em 1828(33), e da família Wanner, talham chegada antes de 1840. Além do citado Dr Deyrolles (v. supra), da família Ledoux e dos citados, ficaram também na região a família Nenevé, depois radicada na Estrada da Serra em Joinville, um Venáncio João de Laurié, morto aos 15/01/1888(34), com cerca de 45 anos, francês, viúvo de Alexandri Maria Pereira, lavrador no Cubatão Grande, a família Duvoisin, descendente do cozinheiro de Leonce Aube(35), e um Hipólito van der Hayden, ligado à colonização belga de Ilhota(36) e que, em 1847, autorizou Gustave Lebon a explorar terras naquela colônia. Afora esses, havia, na região, muitos outros franceses não necessariamente ligados ao Falansterio do Saí, a exemplo do Dr. Ettine Douat e de Ernesto Canac(37). Dito Hipólito van der Hayden teve, com Carolina de Miranda Henriques, talvez descendente do Pe. Francisco de Paula Miranda Henriques(38), o filho Leôncio Hipólito Wanderheyden, natural da Vila de S. Luiz de Guaratuba, casado, aos 02/09/1880(39), com Helena Francisca Levenhagen, natural de Joinville, protestante, viúva de Gustavo Köenig, filha de Fernando Eduardo Levenhagen e de Bertha Maria Levenhagen. Os falansterianos Raymond Neneve e Josefi na Maquinham, de seu turno, tiveram o filho Roberto Nanava, com 36 anos aos 30/10/1883(40), quando casou com Maria Elisabete Lamarche, neta paterna de Lamberto Jose Detroz e de Maria Francisca Boutel, e materna de António Lamarche e de Maria Catarina Hallin, cujos patronímicos sugerem a nacionalidade francesa. O cozinheiro francês parece ter sido o Luiz Duvoisin, filho de David Francisco Duvoisin e de Mariana Duvoisin, casado com Ana Tanner, filha de Conrad Tanner, e de Isabel Tanner, conforme batismo da filha Ana Isabel, aos 30/10/1859(41). Alexandre Nenevé, outro filho de Raymond Nenevé (v.supra), foi casado com Paulina Simões, natural de S. Jose dos Pinhais, filha de Jose Simões de Oliveira e de Maria Simões da Silva, segundo o batismo do filho Manoel’ Francisco, aos 21/06/1880, nascido aos 15 de abril do mesmo ano, quando seus pais moravam no lugar Bateias de S. Bento do Sul(42). Cristina Wanner (v.supra) foi casada oco Pedro Raimundo David, talvez francês, com quem teve, dentre outros, o filho Arnoldo Jose David Conod, casado, por seu turno, com Joaquim Gonçalves da Meia, moradora no Bairro de Açaguaçu, de acordo com o batismo do filho Antonio, aos 07/11/1884(43).

Como se vê, não faltavam imigrantes que falassem a língua francesa na região norte, o que deve ter influído no nino do belga Gustave Luiz Lebon se radicar em S. Francisco de Sul.

Outro francas de relações do Capitão Gustave Luiz Lebon foi o Nicolau Mangin, que, em 1855, era proprietário de terras no lugar Alvarenga, ao norte das 100 braças que Inácio José da Silveira Júnior e sua mulher Ana Maria de Jesus doaram para edificação da igraja matriz da nova freguesia de N.S E da Glória do Sai(44), e que, aos 08/10/1863, apresentou à Câmera de Santa Maria da Boca no Mente certificado do Instituto Homeopático do Rio de Janeiro, datado de 23 de janeiro de 1847, autorizando-o ao tratamento por esse sistema.(45) Aos 16/08/1843, o Dr. Benoit Jules de Mure, após esgotar seus Ultimas recursos, voltou ao Rio de Janeiro, quando apresentou tese na Faculdade de Medicina acerca da homeopatia, habilitando-se ao exercício da medicina no Brasil(46). Can quem teria ficado a filha Camila Leocádia Mure, depois casada com o Capitão Gustave Luiz Lebon? É provável que o fosse a casa do citado Dr. Deyrolles. Cremes, pois, que Gustave Luiz Lebon teve alguma participação, ainda que indireta, na História da Homeopatia do Brasil.

Fontes Pesquisas Genealogicas

Gustave Luiz Lebon
Data de nascimento:estimado entre 1787 e 1847 
Local de nascimento:Belgica
Falecimento:11 Novembro 1876
São Francisco do Sul, São Francisco do Sul, Santa Catarina, Brazil
Família imediata:Filho de Luiz José Lebon e Theresa Josefa Matheur
Marido de Camila Leocádia Mure Lebon
Pai de Luiza Eugenia Lebon e Eduardo Luiz Lebon
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Last Updated:23 Maio 2018

Fontes Pesquisas pelo Antô Roberto Nascimento

  1. Cf. CARLOS FICKER, Hist. de Joinville, 1965, p.225.
  2. Cf. MALTER F. PIAllA, Santa Catarina: sua História, 1983, pp.261 e ss.
  3. Cf. FICKER, ob. cit., p.198
  4. Ob. cit., p.261
  5. Ob. cit., p.225
  6. Cf. CARLOS DA COSTA PEREIRA, “apud” C FICKER, “in” ob.cit., p.227, nota 2 de rodapé.
  7. Cf. W. F. PIAllA, ob. cit., p.260.
  8. Cf. W. F. PIAllA, “Fourierismo” em Santa Catarina, Blumenau em cadernos, Tomo XIII, n.4, p.63.
  9. V. Ciáncia Hoje, nn.39 e 42.
  10. Cf. LICURGO COSTA, O Continente das Lagens, Vó1.2, 1982, p.593.
  11. Cf. C. FICKER, OS Franceses na Bala Babitonga, Blumenau em Cadernos, Temo V, p. 165.
  12. Livro n.12 da Matriz de N.S E da Graça, f1.59 verso.
  13. Livro n.13 de batismo da Matriz de N.S E da Graça.
  14. Cf. C. FICKER, S. Bento do Sul, 1973, p.64, nota 20.
  15. Cf. C. DA COSTA PEREIRA, Hist. de S. Francisco do Sul, pp.139-144.
  16. Arquivo Judiciário Francisquense.
  17. Cf. J. MENDES DA COSTA RODRIGUES, OS Primórdios de Camburiú-Tomás Francisco Garcia, Blumenau em cadernos Temo II, pp.170-171.
  18. Diversos registros eclesiásticos da Penha.
  19. Livro n. 1 da batismos da Barra Velha.
  20. Coletânea de Leis Estaduais, ano de 1913.
  21. Livro n. 1 de casamentos da Barra Velha.
  22. Livro n. 1 da Capela de S. João Batista de Itapocoróia.
  23. Arquivo Judiciário Francisquense.
  24. Livro n. 8 de óbitos da Matriz de N.S E da Graça.
  25. Registros eclesiásticos francisquenses de arquivo judiciário
  26. Id.ib.
  27. Cf. C. S. SILVEIRA LENZI, Partidos e Políticos de Santa Catarina, 1983,p.30
  28. Livro n.6 de batismos da Catedral de Joinville, f1.66, n.95
  29. Cf. GUSTAVO MODER, Cel. Gustavo Lebon Regis, n in memoriam”,, Blumenau em cadernos, Tomo XI, n.10, outubro de 1970, pp.181 e ss.
  30. V. Brasil Genealógico, Momo II, n.6, 1968, p.243.
  31. Livro n.10 de batismos da Matriz de N. S 4 da Graça.
  32. V. nosso artigo “O Primeiro Movimento Socialista de Santa Catarina”, A Notícia de 14-9-86, p.21.
  33. Cf. A.A. da Costa, S. Francisco do Sul, p.60.
  34. Livro de óbitos n.2 da Catedral de Joinville.
  35. Cf. C. FICIÇER, S. Bento do Sul cit., p.15.
  36. Cf. AYRES GEVAERT, O Pioneiro Engelbert Gevaert e seus Descendentes, Blume nau em cadernos, Tomo XIX, n.3, p.54.
  37. Cf. C. FICEER, Hist. de Joinville cit., p.325
  38. Cf. W. F. PIAllA, A Igreja em Santa Catarina, p.257.
  39. Livro n.8 de casamentos da Matriz de N.S 4 da Graça.
  40. Registros da Catedral de Joinville.
  41. Id.ib.
  42. Registros da Catedral de Joinville
  43. Id.ib.
  44. Cf. A.A. DA COSTA. S. Francisco do Sul cit., p.40
  45. Cf. R. BELTRÃO, Cronologia Histórica de Santa Maria, 1979, p.197.

(45) V. Jornal A Notícia, edição de 29-11-90, p.38.

20em São Francisco do Sul..(16)A referida filha Luiza Lebon foi casada, ativez em Itajaí, com Ale-xandre Justino Regis, natural de São Miguel da Terra Firme, hoje Biguagi(SC),filho de Justino Francisco Garcia Sénior – não usava agnome – e de FloresciaRosa Garcia, parentes, ao que supomos, daqueles Garcias dos primórdios da Camborió.(17) Alexandre Justino Regis era irmão de Justino Francisco Garcia Ju-nior, que também não usava o agnome, casado, por seu turno, com Clarinda LuizaGarcia, filha do Capitão Alberto Jose Francisco da Silveira, natural da Capelade São João Batista de Itapocoróia, e de sua primeira mulher Luiza IniciadeJesus, neto paterno de Jose Francisco da Silva ou da Silveira, natural da fre-guesia de N. sa das Necessidades da Ilha de Santa Catarina, e de Rosa IniciadaJesus, natural da freguesia de S. Jose da Terra Firme,e materno de Jose Duartee da Maria Inicia, também naturais de S. Jose.(18) Justino Francisco Garcia Filho foi o pai de Belarmino Justino Garcia, batizado aos 11-12-1864, nascidoem junho daquele ano(19),que, pela Lei n2 979, de 30-08-1913, recebeu favorespara a exploração de minérios no Parati, em Joinville, no Carpo Alegre e em S.Bento do Sul.(20) Em segundas núpcias, o Capitão Alberto Sose Francisco da Silveira casou, aos 31-1-1873(21), ccmmaria Rita Garcia, natural de S. Miguel,filha natural de Rita Silvana de Jesus e de Justino Francisco Garcia Sénior. Erairmão de Joana Rosa de Sousa, casada, aos 22-1-1816(22), como luso JoãodeSousa, natural da freguesia de Santa Maria da Fonte Nova, filho de ManoeldeSousa e de Joaquina Maria, que a abandonou, por volta de 1826(23), com tres filhos então menores: Jose Francisco de Sousa, Valentina Rosa e Florinda, depoiscasada com Bernardino Antônio Caetano. Em seguida, passou ela a viver com Thamás Anténio de Lemos, tendo de refugiar-se nas matas do então Sertão do Itapo-cu, em virtude de ordem de prisão contra ambos expedida e ate que o vigário deS. Francisco do Sul falecesse. Sobredito Thomás António de Lemos foi umdosmais importantes povoadores do sertão do Itapocu, onde foi assassinadoaos21-9-1869, com a idade de 70 anos(24), deixando quatro filhos: Ponciano Antóniode Lemos, Deolinda da Graça Vieira, Lucinda Rosa Lima, Maria Thomásia da Conceição Walter e Rosa Maria Caetana. Panciano António de Lemos foi casado com aviúva de 841.ário António, Bárbara Maria da Graça, descendente do Capitão-Flor António Eugenio de Miranda Tavares, com quem teve a filha Unica D. Maria Balbinade Miranda Lemos, casada, na sua vez, com o Coronel Procópio Gares de Oliveira(25). Já Deolinda foi casada com o Major Manoel António Vieira, do Parati, fi-lho do Coronel António Vieira Sénior, natural do Rio de Janeiro e filho de paisaçoritas(26).Alexandre Justino Regis pertencera também ao Partido Liberal, comandado por Jerónimo Francisco Coelho, ao qual pertenceria igualmente o Dr. AbdonBatista.(27) Além do filho Gustavo Lebon Rágis, teve talhem a filha Olga Adélaide, batizada aos 25-5-1885, em Joinville, nascida aos 14 de março do mesmo amotendo por padrinhos Pedro Jose de Sousa lobo e sua consorte D. Adelaide FloraCaldeira Lobo, quando os pais são dado como lavradores e os avós maternos comonaturais da Belgica.(28)O Coronel Gustavo Lebon Regis nascera no lugar denominado Ribeirão daCorda, Município do Parati, aos 18-2-1874, sendo o primogênito de Alexandre Justino Regis, por hipocorístico “Xamdoca”.(29) Foi casado com Jélia de Queirós—Nascimento, filha do farmaceutico João Gonçalves do Nascimento e de D. Januá-ria Queróz do Nascimento, com quem teve dois filhos: Tenente-Coronel Júlio Le-bon Regis, barbaramente assassinado na cidade de General .Cimara(RS),aos2130-1-1950, e Luiza Lebon Regis, nascida no Rio de Janeiro, aos 18-4-1903, e batizada em.Itajal casada, aos 18-6-1925, também no Rio de Janeiro, com oDr.Mário Brás Pereira Games, nascido em Itajubá(MG), aos 18-6-1903, quintofilhodo Dr. Wenceslau Brás Pereira Gomes, Presidente da República em duas ocasiões,com quem teve o filho Guswen Lebon Brás Regis, nascido no Rio de Janeiro elácasado, aos 15-5-1950, com Maria Rodrigues de Castro, filha de Domingos Rodri-gues de Castro e com descendencia.(30)Camila Leocedia Mure foi madrinha ao.. 22-12-1849, quando aindaerasolteira, e aos 10-8-1850, quando já era casada(31), o que revela seu casamen-to entre tais datas, possivelmente em Itajal. Ate então o nome de Gustave LuizLebon não e mencionado nos registros eclesiásticos francisquenses, a demonstrarque ele ainda lá não residia.Posto que tenham sido poucos os moradores de língua francesa em SãoFrancisco do Sul, api+g o malogro do Falanstério do Sal(32), ainda assim foi bemexpressiva a representação do idioma gaulês na região. Muitos franceses chegarama terras francisquenses muito antes da Colónia Industrial, como foi o casodoferreiro francês Henrique Marins Doin, chegado em 1828(33), e da familia Wanner,talham chegada antes de 1840. Alem do citado Dr Deyrolles (v. supra), da fane:lia Ledoux e dos citados, ficaram também na região a família Neneve, depoisradicada na Estrada da Serra em Joinville, um Venáncio João de Laurié, morto aos15-1-1888(34), com cerca de 45 anos, francês, viúvo de Alexandri Maria Pereira,lavrador no CUbatão Grande, a família Duvoisin, descendente do cozinheirodeLeonce Aube(35), e um HipOlito van der Hayden, ligado à colonização belgadeIlhota(36) e que, em 1847, autorizou Gustave Lebon a explorar terras naquela colenia. Afora esses, havia, na região, muitos outros franceses não necessariamente ligados ao Falansterio do Saí, a exemplo do Dr. Ettine Douat e de Ernesto Canac(37). Dito Hipólito van der Hayden teve, com Carolina de Miranda Henriques,talvez descendente do Pe. Francisco de Paula Miranda Henriques(38), ofilhoLeoncio HipOlito Wanderheyden, natural da Vila de S. Luiz de Guaratuba, casado,aos 02 de setembro de 1880(39), com Helena Francisca Levenhagen, natural de Joinville, protestante, viúva de Gustavo Kdenig, filha de Fernando Eduardo Leve-nhagen e de Bertha Maria Levenhagen. Os falansterianos Raymond Neneve e Josefina Maquinham, de seu turno, tiveram o filho Roberto Nanava, com 36 anosaos30-10-1883(40), quando casou com Maria Elisabete Lamarche, neta paterna de Lamberto Jose Detroz e de Maria Francisca Boutel, e materna de António Lamarche ede Maria Catarina Hallin, cujos patronímicos sugerem a nacionalidade francesa.O cozinheiro francês parace ter sido o Luiz Duvoisin, filho de David FranciscoDuvoisin e de Mariana Duvoisin, casado com Ana Tanner, filha de Conrad Tanner,e de Isabel Tanner, conforme batismo da filha Ana Isabel, aos 30-10-1859(41).Alexandre Neneve, outro filho de Raymond Nénevé (v.supra), foi casado cam Pau-lina Simões, natural de S. Jose dos Pinhais, filha de Jose Simões de Oliveirae de Maria Simões da Silva, segundo o batismo do filho Manoel’ Francisco,aos21-6-80, nascido aos 15 de abril do mesmo ano, quando seus pais moravam no lu-gar Bateias de S. Bento do Sul(42). Cristina Wanner (v.supra) foi casadaocoPedro Raimundo David, talvez francês, com quem teve, dentre outros, o filho Arnoldo Jose David Conod, casado, por seu turno, com Joaquim Gonçalves da Meia,moradora no Bairro de Açaguaçu, de acordo com o batismo do filho Antonio,aos07-11-1884(43).Como se vê, não faltavam imigrantes que falassem a língua francesa naregião norte, o que deve ter influído no nino do belga Gustave Luiz Lebonao22se radicar em S. Francisco de Sul.Outro francas de relações do Capitão Gustave Luiz Lebon foi o Nico-lau Mangin, que, em 1855, era proprietário de terras no lugar Alvarenga,aonorte das 100 braças que Inácio José da Silveira Júnior e sua mulher Ana Mariade Jesus doaram para edificação da igraja matriz da nova freguesia de N.SE daGlória do Sai(44), e que, aos 08-10-1863, apresentou ã Cámara de Santa Mariada Boca no Mente certificado do Instituto Homeepatico do Rio de Janeiro, data-do de 23 de janeiro de 1847, autorizando-o ao tratamento por esse sistema.(45)Aos 16-8-1843, o Dr. Benoit Jules de Mure, após esgotar seus Ultimasrecursos, voltou ao Rio de Janeiro, quando apresentou tese na Faculdade de Medicina acerca da homeopatia, habilitando-se ao exercicio da medicina no Brasil(46).Can quem teria ficado a filha Camila Leocádia Mure, depois casada com o CapitãoGustave Luiz Lebon? É provável que o fosse em casa do citado Dr. Deyrolles.Cremes, pois, que Gustave Luiz Lebon teve alguma participação, aindaque indireta, na História da Homeopatia do Brasil.Cf. CARLOS FICKER, Hist. de Joinville, 1965, p.225.Cf. MALTER F. PIAllA, Santa Catarina: sua História, 1983, pp.261 e ss.Cf. FICKER, ob. cit., p.198Ob. cit., p.261Ob. cit., p.225Cf. CARLOS DA COSTA PEREIRA, “apud” C FICKER, “in” ob.cit., p.227, nota 2de rodapé..Cf. W. F. PIAllA, ob. cit., p.260.Cf. W. F. PIAllA, “Fourierismo” em Santa Catarina, Blumenau em cadernos,Tomo XIII, n.4, p.63.V. Ciáncia Hoje, nn.39 e 42.Cf. LICURGO COSTA, O Continente das Lagens, Vó1.2, 1982, p.593.Cf. C. FICKER, OS Franceses na Bala Babitonga, Blumenau em Cadernos, TemoV, p. 165.Livro n.12 da Matriz de N.SE da Graça, f1.59 verso.Livro n.13 de batismo da Matriz de N.SE da Graça.Cf. C. FICKER, S. Bento do Sul, 1973, p.64, nota 20.Cf. C. DA COSTA PEREIRA, Hist. de S. Francisco do Sul, pp.139-144.Arquivo Judiciário Francisquense.Cf. J. MENDES DA COSTA RODRIGUES, OS Primórdios de CamboiU-Tomás Francis-co Garcia, Blumenau em cadernos Temo II, pp.170-171.Diversos registros eclesiásticos da Penha.Livro n. 1 da batismos da Barra Velha.Coletãnea de Leis Estaduais, ano de 1913.Livro n. 1 de casamentos da Barra Velha.Livro n. 1 da Capela de S. João Batista de Itapocoróia.Arquivo Judiciário Francisquense.Livro n. 8 de óbitos da Matriz de N.SEda Graça.23Registros eclesiásticos francisquenses de arquivo judiciárioId.ib.Cf. C. S. SILVEIRA LENZI, Partidos e Políticos de Santa Catarina, 1983,p.30Livro n.6 de batismos da Catedral de Joinville, f1.66, n.95Cf. GUSTAVO MODER, Cel. Gustavo Lebon Regis, nin memoriam”,, Blumenau emcadernos, Tomo XI, n.10, outubro de 1970, pp.181 e ss.V. Brasil Genealógico, Momo II, n.6, 1968, p.243.Livro n.10 de batismos da Matriz de N. S4 da Graça..V. nosso artigo “O Primeiro Movimento Socialista de Santa Catarina”, ANotícia de 14-9-86, p.21.Cf. A.A. da Costa, S. Francisco do Sul, p.60.Livro de óbitos n.2 da Catedral de Joinville.Cf. C. FICIÇER, S. Bento do Sul cit., p.15.Cf. AYRES GEVAERT, O Pioneiro Engelbert Gevaert e seus Descendentes, Blumenau em cadernos, Tomo XIX, n.3, p.54.Cf. C. FICEER, Hist. de Joinville cit., p.325Cf. W. F. PIAllA, A Igreja em Santa Catarina, p.257.Livro n.8 de casamentos da Matriz de N.S4 da Graça.Registros da Catedral de Joinville.Id.ib.Registros da Catedral de JoinvilleId.ib.Cf. A.A. DA COSTA. S. Francisco do Sul cit., p.40(45) Cf. R. BELTRÃO, Cronologia Histórica de Santa Maria, 1979, p.197.(45) V. Jornal A Notícia, edição de 29-11-90, p.38.

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