Índia Benta (BENEDITA INGLAT) – adotada pelo médico Wigando Engelke

Texto de Rafael José Nogueira.

Trago um resumo de uma indígena achada na região norte do Estado que acabou sendo achada e adotada pelo médico Wigando Engelke. Foi batizada em Joinville:

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Benta com sua nora.

Registro 150. BENTA

A treze de setembro de mil oitocentos oitenta e três na matriz desta freguesia de S. Francisco Xavier de Joinville batizei solenemente a BENTA de idade de dois anos e meio pouco mais ou menos, indígena da tribo dos BOTOCUDOS, que foi achado no dia 18 de agosto próximo passado por Manoel dos Santos Siqueira na sua roça de milho entre os rios Negrinho e de S. Bento com mais duas crianças da mesma tribo, desde o 31 de agosto pupilla de Dr. Wigando Engelke, sendo padrinhos o dito Dr. Wigando e sua mulher Dª Sophia Engelke do que para constar fiz este assento. O vigário P. Carlos Boehershausen

Nenhuma descrição de foto disponível.

Registro de batismo realizado na Igreja de Joinville.

Segundo texto da Revista Blumenau em Cadernos de dezembro de 1960 o doutor Engelke se transferiu para Blumenau com sua família incluída sua nova filha adotada oficialmente.
No aniversário de 7 anos, creio já em Blumenau ganhou um missal e no final dele havia um texto de seus pais adotivos de como ela foi achada:


“A nossa querida filha Benta. A 18 de agosto de 1883, apareceram muitos índios selvagens, da. raça dos botocudos (também denominados “bugres”), a 15 quilômetros a noroeste de São Bento, em uma roça situada entre os rios São Bento e Negrinho, de propriedade do brasileiro Manoel dos Santos Siqueira e começaram a apanhar milho verde. O dono da roça, acompanhado dos seus empregados e vizinhos, atacou os selvagens, tendo, ao que consta, matado 28 e pegaram três crianças botocudas, um menino de, mais ou menos, 8 anos, uma menina de 6 e uma outra de 2 anos. Foi o próprio Manoel dos Santos Siqueira quem pegou a mais nova, quando esta, ao fugir, tropeçou e caiu. Na mesma ocasião, ele arrecadara um arco e uma flecha. :Esses três pequenos índios, foram entregues ao sub-delegado do distrito, Francisco Antônio Maximiano, que as mandou vestir e dar-lhes agasalho. Pouco depois, o presidente da província determinou que as três crianças fossem mandadas para Desterro. Elas já haviam sido trazidas em carroça, até Joinville, pelo Oficial de Justiça, quando o juiz de órfãos, Primitivo Gomes de Souza Miranda conseguiu, em virtude de uma calorosa representação nossa, fosse revogada a decisão do presidente. O rapaz que, no batismo, recebera o nome de Antônio, foi entregue ao sr. Antônio Sinke (em casa de quem, em Campo Alegre, morreu a 24 de junho de 1887) .. A menina mais velha, Estefânia, foi entregue a Von Lasperg e a mais nova foi confiada à nossa guarda. Era o dia 31 de agosto de 1883, antes do meio dia, quando o referido juiz de órfãos, mandou-nos a criança por intermédio do já falecido Frederico Jordan. Ela tinha, então, 68 centímetros de altura, magra, com os cabelos cortados curto e 19 dentes; estava com uma forte diarreia. Calculamos a sua idade em dois anos e cinco meses e fixamos, como data do seu nascimento, o dia 31 de março de 1881. Quando mamãe (a esposa do médico) tomou a criança, pela primeira vez nos braços, esta mostrou-se muito irritada e inquieta; grita-va e debatia-se terrivelmente. Mamãe, porém, entrou com ela em casa e pô-la diante de um grande espelho, o que a sossegou, quase que repentinamente. Naturalmente a criança não possuía noção do uso de colher, de escova de dentes, de pente, de banho; gostava, porém da limpeza e tinha o instinto da ordem. Nos dias seguintes ela aprendeu a dizer “papa” e “mama” e não tinham, ainda decorrido quatro semanas e ela já conseguia expressar alguns pensamentos em língua alemã; no idioma dos botocudos, porém, ela então e até agora não deixou escapar uma única sílaba, embora, segundo tôdas as probabilidades, já soubesse falar. A 13 de dezembro de 1883, às 8 horas da manhã, depois da santa missa, a menina foi batizada pelo nosso amigo, o vigário Padre Carlos Boegershausen, na nossa matriz, em festiva solenidade. Eu e a querida espôsa Sofia fomos os seus padrinhos e recebeu, na ocasião, o nome de “Benedita”, ou, abreviadamente, “Benta”. A 18 de dezembro de 1885, Benta foi crismada pelo reverendo Padre João Maria Cybeo, sendo-lhe madrinha de Crisma a tia Helena. O que falta para completar esta história, a querida Benta poderá contar pessoalmente. Para que a nossa querida filha Benedita permaneça, por toda a sua vida, tão gentil, tão boa, tão aplicada e tão piedosa, como até aqui, são os nossos votos no seu aniversário, pois, festejamos, hoje, o seu 7.° ano de vida.
Dos seus sinceros pais Dr. Wiegand Engelke e Sofia Engelke, nata Graf.

Conheceu José Inglat que na ocasião funcionário da Estrada de Ferro Santa Catarina, com emprego, na estação de Salto Weissbach, próximo a casa de Benta
Casaram-se em 24 de Março de 1909 em Blumenau.

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Registro de Casamento

Do casamento resultaram três filhos: José, Rodolfo e Sofia. Apenas José deixou herdeiros.

Nenhuma descrição de foto disponível.
Registo de Óbito

Em 22 de dezembro de 1947 Benedita Inglat falece vítima de um Tétano. Residia na Ponta Aguda em Blumenau.

Enviuvando, seu marido José Inglat passou a residir em Ponta Aguda, em companhia do filho, tendo ali falecido, há poucos anos, como chofer da Prefeitura Municipal, aposentado

Fontes

Fontes das informações e das fotos: Family Search e Blumenau em cadernos.
Link da revista:

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