Porque Joinville é a “Cidade das Bicicletas”?

Joinville é conhecida como a Cidade dos Principes, Cidade das Flores, Manchester Catarinense, Cidade da Dança e Cidade das Bicicletas. Apesar do último apelido, estamos ouvindo cada vez menos, na década de 1970 através de uma reportagem do Jornal o Globo, chamou a carinhosa cidade Joinville de Cidade das Bicicletas, pelo 4.000 operários que transitavam pela cidade.

Capa: Um passeio de bicicleta, nos anos 50, na zona rural da cidade. Foto do acervo de Lia S Ravache

Trabalhadores da Fundiçao Tupy. Uma imagem que pode reproduzir a garra, amor, fé, em um futuro melhor para seus filhos, estampadas no sorriso dos rostos de homens trabalhadores, indepententemente da profissao, lugar de trabalho,status social, gentílico; indo ou vindo do seu trabalho, em um tempo (anos 60/70) no qual a paternidade em suas vidas ocorria à mais jovem idade. Acervo e texto de Lúcia Hauptli.
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Trabalhadores da Fundiçao Tupy. Quando era massivo o uso de bicicletas. Acervo e texto de Lúcia Hauptli.

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Começo

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Anigamente na rua Dr João Colin em 1969 trabalhadores indo para suas casa de bicicleta. Aos fundos o antigo Prédio da Prefeitura de Joinville. Acervo Same Foto 1969

Na década de 70, o nome “Cidade das Bicicletas” foi incorporado a Joinville porque foi assunto das principais jornais de circulação nacional.

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Antigamente em 1969, esquina da Rua Dr. João Colin com Rua Mario Lobo. Acervo Same

O Jornal “O Globo”, de 1º de setembro de 1972, exibiu reportagem de uma página dando destaque ao hábito de pedalar e a cidade com menor índice de enfartos no país – os médicos associavam ao bom estado físico dos moradores, já que pedalar queima a gordura prejudicial ao organismo.

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A vista a partir da esquina com a rua Jerônimo Coelho em direção à Catedral. A rua já era bem movimentada com veículos estacionados na contramão. A bicicleta ainda fazia parte do coditiano dos Joinvillenses. Acervo Fatima Hofmann

Marca Registrada

A marca registrada da cidade era que 4.000 operários ciclistas circulavam na cidade, indo e vindo de seus trabalhos. Em horários de saída das fábricas e do comércio, era possível presenciar congestionamentos de bicicletas.

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Uma pescaria, produtiva por sinal, na área rural de Joinville. Atrás está o Morro da Tromba na Estrada Do Sahy. Foto do acervo de Lia Ravache.

Algumas das placas de trânsito eram destinadas apenas a ciclistas.

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Bela e elegante moça no ano 1935. Bicicleta feminina com a malha/redinha protetora na roda, para que o vestido nao prendesse no raio. Imagem colorizada/ – Arquivo/família Muller


As marcas utilizadas eram as mais variadas, como as famosas alemãs Durkopp e Goricke, além de Centrum, Hunber, Norman, Maraton, Prosdócimo, Rabereic, Kroon, Caloi, Bristol, CM, Guliver ou Monark – algumas nacionais, outras importadas.

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Passeando na Rua do Principe em 1937. Acervo Fatima Hofmann
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Rua do Príncipe a partir da Rua Padre Carlos, em direçao a catedral.Á esquerda, o lugar onde foi erguido o Banco Santander, e em destaque, o sobrado que abrigou por décadas a Foto Brasil. À direita, parte do entao Clube Joinville, atual Casa Sofia Acervo e Texto: Lúcia Hauptli
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Antigamente Rua Dr. João Colin com esquina na Rua XV de Novembro na decada de 40. Acervo livro 150 anos de Joinville

Certificado de Propriedade

Antigamente, com grande fluxo de bicicletas, foi necessario emitir certificado de propriedade de bicicletas. Até o ano 1959, certificado de propriedade de bicicleta era obrigatório.

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Assim as crianças aprendiam a andar de bicicleta. Acervo Lúcia Hauptli‎.

Antigas Oficinas de Bicicletas

Sr. Heinz Goecks, em sua oficina de bicicletas que funcionava na Rua Dr. Joao Colin, ao lado do Shopping Cidade das Flores. A oficina pertencia aos irmaos Goecks: Heinz e Otto, quem durante anos cabalmente prestaram seus serviços à sociedade joinvilense.

Lúcia Hauptli
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Heinz Goecks, em sua oficina de bicicletas. Arq./Família Machado

Bicicletas e o Nazismo

Na década de 30, os integralistas (Ação Integralista Brasileira (AIB) foi um movimento político brasileiro ultranacionalista, corporativista, conservador e tradicionalista católico de extrema-direita) diziam ter afinidade com os nazistas pelo inimigo comum: os comunistas.

Nesta época ficou conhecido a saudação nazista na Rua do Principe em frente a Praça Nereu Ramos.

Rua do Principe – Acervo e ano desconhecidos.

Carinhosa “Zica”

Bustos descobriu que o apelido “zica” nasceu no dia a dia das pessoas e é uma forma carinhosa de se referir ao meio de transporte. “Não sabemos como surgiu. Se perdeu no tempo”, diz. Para ele e para muitos joinvilenses, não importa como ela é chamada, a bicicleta vai ser sempre lembrada pelos momentos de liberdade em dias de lazer ou pela praticidade e economia no dia a dia de trabalho.

Jovens se divertindo… indo dançar.. Que bonito de se ver, a elegância de todos. Esta fot foi tirada em 1954 em frente ao Salão Schramm Foto do acervo de Dina Plothow
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Nos anos 80, Joinville tinha tranquilidade, e bicicletas. Rua Lages em 12-04-1982. Acervo Fatima Hofmann.

Momentos de lazer

Os jovens nos anos 50, aproveitavam a vida, de maneiras bem saudáveis. Pegavam sua bicicleta, e iam pelos arredores da cidade, para pescar, tomar banhos de rio, e até caçar… Olha o caçador fazendo pose..

Foto do acervo de Lia S Ravache.
UMA RECORDAÇÃO DO CUBATÃO,1955 – Jovens se divertiam com muito pouco, mas isso era lá no passado, usavam a bicicleta nos dias de verão para banho de rio. Foto do acervo de Dina Plothow

Centenário de Joinville – 09/03/1951

Comemoração do Centenário de Joinville 09/03/1951, passeio na Rua Princesa Izabel.
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Finalização do desfile do Centenário em 09/03/1951 na Rua Dr. Joao Colin Acervo Fatima Hofmann.

Dia da Bicicleta – 03 de Junho

O dia 3 de junho é o Dia Mundial da Bicicleta, uma oportunidade para refletirmos sobre esse meio de transporte limpo, simples e ambientalmente sustentável. A data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para encorajar os Estados Membros a adotarem medidas que estimulem o uso da bicicleta e para que os governos ajam para garantir a segurança de seus usuários nas vias públicas.

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Rua Anita Guaribaldi, em 1979 Foto de Prugner. Acervo Fatima Hofmann.

Um dos casos de sucesso no uso da bicicleta no Brasil é Joinville, em Santa Catarina. A cidade se destaca pelos seus inúmeros ciclistas, que usam a bicicleta para ir e voltar do trabalho, para lazer e para a prática de esporte. Por isso, Joinville recebeu o título de “Cidade das Bicicletas”.

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Ciclistas em Joinville (SC), abril de 1970. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã.

Atualmente

Hoje, Joinville tem 146 quilômetros de extensão de ciclovias. Segundo a Prefeitura, a projeção é aumentar, até 2025, para 730 km de extensão. “Quase 12% dos deslocamentos são feitos por bicicletas, índice muito acima da média nacional, que é de 1,75%.

O objetivo é atingir um índice a 20%”, explica Diego Piffer Rosa, gerente de Imprensa da prefeitura. Como não existe mais o registro das bicicletas, o órgão não tem estimativa oficial do número delas na cidade.

 Joinville tem 146 quilômetros de extensão de ciclovias, mas muitos trechos da cidade não são assistidos - Luciano Moraes/arquivo/ND
Joinville tem 146 quilômetros de extensão de ciclovias, mas muitos trechos da cidade não são assistidos – Luciano Moraes/arquivo/ND

Relação bicicletas x habitantes de Joinville

  • 1950 – 9.795 bicicletas – 46.550 habitantes
  • 1972 – 70 mil bicicletas – 126 mil habitantes
  • 1987 – 100 mil bicicletas – 350 mil habitantes

Fontes

  • Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã.
  • Arquivo Histórico de Joinville

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