Companhia de Piratas no Brasil Holandês

Quando do reinício do confronto entre luso-brasileiros e flamengos em 1645 em Pernambuco, os neerlandeses, desfrutando de vantagem imensurável em relação aos navios portugueses, retomaram os ataques a navegações mercantes no Atlântico, sobretudo aquelas saídas de Salvador, Rio de Janeiro e São Vicente. No entanto, os bem saques bem sucedidos foram realizados não pela WIC, mas por uma segunda companhia, formada por piratas zeelandeses (província que compõe as Províncias Unidas).

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Pintura de Hassel Gerritsz sobre a invasão a Salvador em 1624

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Segundo Charles R. Boxer:

“É natural que a insurreição estalada em 1645 reavivasse imediatamente os ataques dos holandeses à navegação portuguesa do sul do Atlântico. Tampouco se limitava essa atividade aos corsários da Companhia das Índias Ocidentais. Os danos maiores eram os afligidos pelos navios equipados pela Organização Zelandesa de Pirataria (Zeeuwsche kaper directie), com sede em Middelburg. A princípio, essa companhia tinha como objetivo dar combate aos corsários de Dunquerque, mas depois da queda daquela ‘Argel do Norte ocorrida em 1646, aproveitaram os zelandeses a oportunidade para transferir as suas atividades para as águas do Brasil, instalando-se uma ramificação dela em Recife, sob a chefia de Huybrecht Brest.

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Desenho de Hassel Gerritsz sobre a Baía de Todos os Santos durante a invasão holandesa

‘Uma trama para o comércio, se temos uma pilhagem a fazer’! era um dito popular na Zelândia; e ‘os novos mendigos do mar’, como foram chamados esses temíveis piratas, não encontravam dificuldades em encher as suas fileiras com marinheiros de Middelburg e Flushing. Como a Companhia das Índias Ocidentais tinha uma porcentagem nas presas feitas pelos zelandeses, é claro que em Middelburg alguns dos diretores da Companhia estavam mais interessados na prosperidade da organização de pirataria do que na sua própria. Mas as duas corporações eram entidades completamente autônomas, possuindo os piratas da Zelândia, armazéns, entrepostos e equipamentos próprios, os quais, nisso ou naquilo, eram muito melhor administrados e aprovisionados do que os da Companhia.” (283)

Fontes

  • BOXER, Charles R. Os Holandeses no Brasil 1624-1654. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.
  • Imagem: “Heemskerck and Zeehaen” 1642.
  • Autor Roberto Junio Martinasso Ribeiro – página facebook O Brasil Holandês 1630-1654

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