Cemitério de Gatos – Blumenau (Edith Gaertner)

Conhecida como “Mulher a frente do seu tempo”, Edith Gaertner, realizou mais de 50 enterros para seus gatos e construíu no total de 9 lápides (existem até hoje) aos fundos do Museu da Familia Colonial de Blumenau. Edith foi reconhecida na Europa, e acabou reclusa a partir dos anos 1920.

Há quem diga que este é o único cemitério de gatos do mundo.

A imagem pode conter: atividades ao ar livre, texto que diz "LENDA Virou museu Atualmente, restam apenas 9 sepulturas com os nomes Mirko, Pepito, Peterle, Milr, entre outros."
Lápides foram mantidas nos fundos do Museu da Família Colonial, em Blumenau
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Lapides de Concreto

A imagem pode conter: texto que diz "LENDA Pet Pet Semetary? Este é o cemitério de gatos, localizado dentro do horto florestal em Blumenau, Santa Catarina."

Pepito, Peterle, Milr, Mirko

Os nomes escritos nas lápides de concreto são de gatos que viveram no século passado, entre o começo dos anos 1920 e o fim dos anos 1960. O inusitado “cemitério de gatos” faz parte da história da cidade de Blumenau em Santa Catarina. O Cemintério está localizado atrás da antiga casa que pertenca a dona de todos os Gatos Edith Gaertner, uma ex-atriz que viveu a fama e a clausura na mesma intensidade.

Cemitério de Gatos Acervo de Gil Jacobus‎

Ela é sobrinha neta do fundador da cidade Blumenau, Dr. Hermann Blumenau, e nasceu em 1882. Filha do cônsul da Alemanha e a da fundadora do teatro da cidade, era a caçula de oito irmãos. Aos 20 anos, depois da morte dos pais, Edith saiu do Brasil sozinha. Chegou a trabalhar como governanta de uma família em uma fazenda no Uruguai, mas foi na Argentina que começou a realizar seu sonho: ser atriz.

Edith Gaertner chegava a ter sete gatos de cada vez, conta professora (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
Edith Gaertner chegava a ter sete gatos de cada vez, conta professora (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)

“Foi lá que conheceu Elenora Duse, uma atriz alemã, que foi sua musa inspiradora”,

Sueli Petry

Segundo informações diretora do Patrimônio Histórico de Blumenau – Sueli Petry, foi na Alemanha que Edith conheceu a professora. Na Europa, Edith viveu uma época de ouro: viajou pelas principais cidades do continente. Nos mais famosos palcos, de Viena a Leipzig, Edith encenou Goethe, Schiller, Molière, Shakespeare. A crítica, contam historiadores, a recebia muito bem: sua dicção e “mímica” eram sempre elogiados.

Edith Gaertner encenou textos clássicos em teatros europeus no século XX (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
Edith Gaertner encenou textos clássicos em teatros europeus no século XX (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)

O pós-guerra, porém, trouxe dificuldades à Alemanha. Quando, em 1924, Edith recebeu a notícia de que seus dois irmãos solteiros estavam muito doentes, viu a deixa para abandonar a carreira e retornar ao Brasil.

Vida de clausura

De volta a Blumenau, voltou à viver na propriedade da família Gaertner, construída no centro histórico da cidade, e que hoje abriga o Museu da Família Colonial e o horto. Edith tinha pouco mais de 40 anos e, para surpresa de todos, mudou radicalmente seu estilo de vida, conta a professora Sueli.

“Solteira, Edith nunca teve filhos. Não trabalhou mais com teatro, vivia enclausurada. Para passar o tempo tinha gatos, e toda a parte afetiva era para eles. Tinha seis, sete gatos de uma vez só, e à medida que os gatos foram morrendo, ela os enterrava nos fundos da casa”.

Sueli Petry


Edith Gaertner deixou registradas imagens dos gatos de que cuidava em Blumenau (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
Edith Gaertner deixou registradas imagens dos gatos de que cuidava em Blumenau (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)

Ritual de enterro

Foram mais de 50 gatos enterrados aos fundos de sua casa, mas apenas nove lápides permaneceram.

“Ela fazia uma ritualística no enterro desses gatos”,

Sueli Petry

Doação Terreno

Ainda em vida, Edith doou o terreno para a prefeitura. Quando morreu, em 1967, o então diretor da Biblioteca Pública, José Ferreira da Silva, transformou o imóvel em museu.

A imagem pode conter: atividades ao ar livre
Museu da Família Colonial. Acervo Leila Fares‎

“Em respeito a Edith, foi mantido o cemitério de gatos. Foi Ferreira da Silva quem colocou as lápides com os nomezinhos deles”.

Sueli Petry
Nenhuma descrição de foto disponível.
Cemitério de Gatos. Acervo Charles Schwanke‎

As esculturas foram baseadas em imagens dos animais, mantidas até hoje pela prefeitura.

Nenhuma descrição de foto disponível.
Gato de Edith – Foto: AHJFS/Mroeck Röck.

A professora Sueli não confirma, mas também não nega. “Eu desconheço outro. Mas é uma  atração a mais para os visitantes do museu”.


Endereço para visitação

O cemitério de gatos pode ser visitado no Museu da Família Colonial, que fica na Alameda Duque de Caxias, 64.

  • Entrada custa R$ 3,00
  • Visitações são de terça a domingo ( Horário 10 às 16h).
Edith fazia 'ritualística' para enterro de seus gatos, nos fundos da residência (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)
Edith fazia ‘ritualística’ para enterro de seus gatos, nos fundos da residência (Foto: Arquivo Histórico/FCBlu)

Fontes

  • Secretaria Municipal de Cultura
  • Arquivo Histórico José Ferreira da Silva
  • Acervo Iconográfico: Fundo Administrativo
  • Fundação Cultural de Blumenau
  • Museu da Família Colonial

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