Móveis Cimo S/A

A Móveis Cimo SA foi uma fábrica de móveis que iniciou suas atividades no ano de 1913, no município de Rio Negrinho, Santa Catarina, e faliu em 1982, quando sua matriz estava localizada em Curitiba, Paraná. Seus fundadores foram Willy Jung e Jorge Zipperer.

Toras no pátio dos Móveis Cimo. Acervo Fatima Hofmann

A empresa tornou-se durante um tempo a maior fábrica de móveis da América Latina, embora com uma administração agora altamente descentralizada.

Conheça mais…

Nomes da empresa

  • Jung & Cia. (1913 a 1919)
  • A. Ehrl & Cia. (1919 a 1924)
  • N. Jacob & Cia. (1924 a 1925)
  • Jorge Zipperer & Cia. (1926 a 1932
  • Cia. M. Zipperer – Móveis Rio Negrinho S/A (1932 a 1944)
  • Companhia Industrial de Moveis S/A (1944 a 1954)
  • Móveis CIMO S/A (1954 até a falência, em 1982)

História

Os fundadores Jorge Zipperer e Willy Jung abrem uma casa de comércio em 1912, na vila de São Bento, atual São Bento do Sul.

Famíia Zipperer – Joseph Zipperer e Ana Maria Pscheidt (opa e oma Zipperer) com seus filhos (Direira para esquerda) João, Jorge, Barbara Rolb, Bertha Malinoski – acervo Fatima Hofmann. Ano 1927.
Familia Zipperer – 4 Gerações – Joseph Zipperer, Jorge Joseph Zipperer(sentado), Joseph Zipperer Neto, Ermelinda Zipperer. Acervo Fatima Hoffmann Ano 1927.

Logo em seguida adquirem um terreno de Serapião Ferreira de Lima, em Rio Salto, uma área de 111 alqueires, construindo ali uma serraria e tendo anexo uma fábrica de caixas.

Nenhuma descrição de foto disponível.
MOVEIS CIMO – RIO NEGRINHO – Acervo Fatima Hofmann

A serraria era movida a vapor de locomóvel, a qual foi acoplado um gerador que permitia a iluminação elétrica da vila de operários, algo incomum na época.

A imagem pode conter: mesa, quadra de basquetebol e área interna
Mostruário de pecas de mobiliário produzido pela Cimo.
Foto: moveiscimo.blogspot.com.br

Em 1915 venderam a casa de comércio em São Bento ao irmão de Jorge, Carlos Zipperer, e ampliaram o negócio de serraria, abrindo uma segunda unidade em Lageado, no Paraná, num local conhecido como Encruzilhada.

A imagem pode conter: 1 pessoa
1° de Maio de 1949 – Funcionários da Moveis Cimo – Acervo Fatima Hofmann

Estrada Dona Francisca já atravessava o distrito de Rio Negrinho desde de 1880. Em 1913 chega a ferrovia, um ramal da Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande (EFSPRG) sendo construída uma estação no local do futuro município de Rio Negrinho.

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1° de Maio de 1949 – Funcionários da Moveis Cimo – Acervo Fatima Hofmann

Havia a necessidade de uma ligação entre a estação ferroviária de Rio Negrinho e o Lageado, onde se situava a segunda das serrarias da Jung & Cia. Para isso, no ano de 1918, foi construída uma estrada, que seria chamada Estrada Irani. Hoje essa ligação rodoviária se tornou parte da malha urbana de Rio Negrinho.

A imagem pode conter: comida
Toras de imbuia, com exceção de uma de cedro, com anotações das impressionantes medidas.
Foto: blogdoosmairbail.com.br

Ainda no ano de 1918, a Jung & Cia comprou de José Brey 625.000 m² de terras para centralizar suas atividades, ficando entre a estação ferroviária e a Estrada Dona Francisca. É sobre essa área que se formou o núcleo urbano do município de Rio Negrinho.

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1° de Maio de 1949 – Funcionários da Moveis Cimo – Acervo Fatima Hofmann

Em 1919 o sócio Willy Jung febre “espanhola” vindo a falecer em seguida. Dissolve-se a sociedade por desinteresse de seus herdeiros, e ingressa em seu lugar Andréas Ehrl, passando a empresa a ser denominada A.Ehrl & Cia.

Os projetos de ampliação das serrarias continuam. Para Rio Negrinho trazem outra grande caldeira, que acoplada a um locomóvel e gerador de 120 PS, fornecia toda a energia elétrica das cidades gêmeas de Porto União e União da Vitória, na divisa de Santa Catarina com o Paraná. Imediatamente toda a serraria, a casa de comércio, bem como na vila operária e residências à margem direita do rio Negrinho foram dotadas de energia elétrica.

Com o final da Primeira Guerra Mundial, os negócios passaram a fluir melhor, os grandes investimentos feitos em 1918, como a construção da estrada Irany, a transferência das serrarias do Salto para Rio Negrinho e de Lageado para junto à ponte Rodrigues, aquisição de duas caldeiras e equipamentos e finalmente a indenização das cotas de Willy Jung aos herdeiros, acabaram por debilitar a situação financeira da empresa, que contraiu empréstimos bancários.

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Móveis Cimo – Arquivo Histórico Rio Negrinho – Déc. 60.

Outro fator que atrapalhou as operações da empresa era o tratamento diferenciado na oferta de vagões ferroviários por parte da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande – EFSPRG. Em setembro de 1920 a serraria junto a ponte Rodrigues, na margem do rio Negro, já havia exaurido todas as reservas de madeira nas regiões adjacentes e foi vendida.

Fabricação de Móveis

Como os negócios com madeira estavam desfavoráveis, Jorge Zipperer, em viagem a São Paulo encontra seu irmão Martin, que administrava uma fábrica de móveis chamada McDonald’s. Martin Zipperer havia cursado marcenaria do no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Antes havia trabalhado em indústrias moveleiras, onde aprendera o ofício.

Dali decidiram abrir uma fábrica de móveis em Rio Negrinho, para contornar a má fase que passava o comercio de madeira bruta. Em outubro de 1921 Martin se desligou da firma de São Paulo e se transferiu para o sul, onde de imediato começaram a montar uma fábrica de cadeiras em Rio Negrinho. Em dezembrp do mesmo ano receberam o primeiro grande pedido.

Os negócios seguiam diversificados, pois as vendas de cadeiras não evoluíram com vigor esperado no início, de maneira que desenvolveram também projetos de casas pré-fabricadas, forneciam madeiramento para quartéis do exercito e madeiras diversas para a construção civil em geral. Além das caixas para laranjas, seu primeiro negócio.

Após muitos contratempos e troca de sócios, os negócios da empresa evoluem bem. Finalmente a fabricação de móveis entra num ritmo bom, graças a boa qualidade e o design inovador dos produtos. Em 1924 venderam aproximadamente 60.000 cadeiras e poltronas de cinema. Os negócios de caixas e de madeira serrada para construção civil também se desenvolvem favoravelmente.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e atividades ao ar livre
Saída dos armazéns de estoque da fabrica.
Foto: blogdoosmairbail.com.br

O período de prosperidade fez com que se investisse ainda mais em unidades fabris e maquinários modernos.

Jorge Zipperer falece em 31 de janeiro de 1944, com 65 anos. Pressionada pelas contingências comerciais a empresa dá um passo muito ousado e aceita a incorporação num conglomerado único uma vasta gama de empresas ligadas ao seu corpo de representantes e que teoricamente apresentam interesses comerciais afins.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas sentadas
Cortejo fúnebre do empresário Jorge Zipperer, em 31/01/1944, em São Bento do Sul.
Foto: saobentonopassado.wordpress.com.br

Nesta operação se incorporam à então Cia. M. Zipperer – Móveis Rio Negrinho S/A, as seguintes empresas:

  • Fábrica de Móveis Maida
  • Oficina de Artes e Mobiliário Ltda
  • Leopoldo Reu & Cia
  • Schauz & Buchmann Ltda
  • P. Kastrupp & Cia
  • Raymundo Egg & Cia.

Essa corporação de sete fábricas de móveis acabam formando a Cia. Industrial de Móveis S/A, cuja abreviação passou a ser como a empresa seria conhecida doravante – CIMO, CIMO S/A ou Móveis Cimo. Em 1954 a empresa passa a se chamar oficialmente Móveis CIMO S/A.

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Anfiteatro de um cinema. Foto: moveiscimo.blogspot.com.br

A Móveis Cimo caminha então para se tornar a maior fábrica de móveis da América Latina, embora com uma administração agora altamente descentralizada. Tem fábricas em Rio Negrinho, Curitiba, Joinville e no Rio de Janeiro.

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Exemplo de poltrona destinada à educandários. Anfiteatro do Colégio Estadual do Paraná.
Foto: moveiscimo.blogspot.com.br

Inicialmente sua sede nacional se localiza no Rio de Janeiro, mas logo foi transferida para Curitiba. O conglomerado Cimo produzia móveis para cinemas e auditórios, onde conquistou o monopólio do mercado. Diversificou com móveis escolares e linhas institucionais de escritório, de quarto, salas, etc. uma completa gama de produtos, sempre de alta qualidade. Tinham muita facilidade em vencer grandes concorrências governamentais para fornecer móveis escolares e institucionais em fantásticas quantidades.

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Logomarca da Cimo. Foto: moveiscimo.blogspot.com.br

Decadência e fechamento

No final da década de 1960 se instalam no Brasil duas grandes plantas para a produção de painéis de fibra de madeira aglomerada. Essa matéria prima desloca o eixo da produção de móveis e cria uma concorrência muito competitiva aos produtos fabricados pela Cimo. Como esta mantivesse sua produção verticalizada pelo uso da madeira maciça e compensada, além disso não havia feito nenhum movimento para se adaptar ao uso do aglomerado, começam a experimentar afrontas importantes de concorrentes em potencial que usavam essa nova variante tecnológica e produtiva.

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Caminhão de transporte das toras, estacionado em frente ao pátio de secamento de madeiras, em Rio Negrinh, em 1966. Foto: blogdoosmairbail.com.br

No início da década de 1970 já se manifestam sintomas de grave crise administrativo-financeira na empresa. Com o desaparecimento de Martin Zipperer, cuja morte ocorre no dia 23 de novembro de 1971, as coisas passaram a se suceder rapidamente e em outro patamar.

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A Moveis Cimo de Joinville também pegou fogo em Novembro de 1971 Acervo Fatima Hofmann

A unidade de Joinville tinha sido completamente destruída por um incêndio ocorrido em 30 de novembro de 1971.

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Acervo família Zipperer

Já em 1972, em assembléia se decide pela construção de uma nova e moderna unidade fabril, isso fica mais premente quando em abril desse mesmo ano a fabrica de Rio Negrinho também sofre um grande incêndio, na seção de estofaria e lustração. A unidade de Rio Negrinho, agora a segunda maior do grupo, tinha um padrão construtivo muito arcaico, pois era externamente de alvenaria e todas a divisões internas eram de madeira. Tecnologicamente essa fábrica também já era obsoleta.

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Carregamento de poltronas para entrega no Cine Ouro Verde, de Londrina, década de 1960.
Foto: blogdoosmairbail.com.br

Assim, a empresa recorre a financiamento bancário, que não foi honrado, de forma que o banco credor convocou uma assembléia de acionistas e destituiu a diretoria nomeando outra, de sua lavra. Impõe também a abertura de pedido de concordata preventiva. Os principais diretores vendem a totalidade de suas ações.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, céu e atividades ao ar livre
A placa publicitária da Móveis Maida sobre o edifício à direita.
Foto: Curitiba.pr.gov.br

No final de1978, com a situação piorando irremediavelmente, o controle acionário passa para o grupo Lutfalla, que detém agora 62%, mas que não tinha um interesse real em reerguer a empresa e acaba por abandonar tudo. Em fevereiro de 1982, é decretada a falência da Móveis Cimo S/A.

Fontes

  • http://pepalito.com.br/designers_post/moveis-cimo/
  • História de São Bento do Sul – Móveis Cimo
  • Uma história talhada em madeira -. Consultado em 22 de julho de 2016
  • Foto capa Cia. Industrial de Móveis S/A localizada na Rua Ministro Calogeras (antigo prédio que seria o shopping da unidade do Centro da Univille) acervo Fatima Hofmann

1 Comment

  1. Amei essa publicação, de grandioso valor!
    Obrigada por compartilhar essa hist
    ória, conhecimento é tudo o que precisamos, hoje e todo o sempre!!!
    CONHECER PARA VALORIZAR.

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