Palacete da Família Niemeyer – Joinville

Construído em 1906 pelo comerciante Luiz Niemeyer, o casarão durante décadas foi a residência da família. Filho de Johann Otto Louis Niemeyer, ex-diretor  da Colônia Dona Francisca, e nascido em 1869 já em Joinville, Luiz Niemeyer tinha o mesmo nome do pai.

Casarão primeira metade do século 20, residêcia dos primeiros integrantes de família Niemeyer. Acervo Família Niemeyer.

Prédio foi construído em 1906 pelo comerciante Luiz Niemeyer e mantém nos dias atuais, toda a originalidade do prédio. Hoje faz parte do Banco do Brasil. Localizado na rua que leva seu nome Rua Luiz Niemeyer,, 54 (no começo da Rua do Principe).

Artigo publicado em 12 de outubro de 1905, no Kolonie Zeitung ,por Otto Boehm (proprietário do referido jornal), que havia estudado naquele imóvel:

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Casamento

Luiz Niemeyer filho casou-se com Sophie Dorothea Lepper, filha do comerciante, industrial e deputado estadual Hermann August Lepper, uma das  personalidades mais atuantes da cidade no  final do século 19 e início do século 20. Durante anos, trabalhou com o sogro na empresa de importação e exportação e casa de secos e molhados.

Atualmente o prédio preserva a beleza das construções do início do século 20. Fotos Reprodução/ND+. Ano 2011

Filhos

O casal  tiveram cinco filhos: Otto, Leopoldo, Luiz, Kurt e Ruth Niemeyer Stamm.

Rua do Príncipe com poucas construções e sem pavimentação e o palacete ao fundo. Acervo Família Niemeyer

Filha de Leopoldo, Hedy Niemeyer – nascida em 1926, lembra pouco do avô, que morreu em 1929, quando viajava à Alemanha com a esposa e os filhos. Mas guarda na memória as imagens da casa e da avó, que viveu  no local até ficar bem idosa e ir morar com a filha Ruth.

“Era a casa da vovó. Quando ia para Joinville com meus pais, dormia no quarto com ela.” Entre suas lembranças mais antigas está o quarto da avó, recoberto com papel de parede com grandes rosas amarelas. “E o pão que ela fazia… Fazia pão de batata e levava na Confeitaria Dietrich para assar.” Nas recordações de menina ainda estão a cozinha com uma despensa, onde não faltavam o melado e o açúcar cristal.

Inicio da construção que foi concluída em 1906. Acervo da Familia Niemeyer.

Hedy relembra que nasceu no casarão. Assim que casavam os filhos do casal Luiz e Sophie, moravam um certo tempo, até adquirirem suas próprias casas.

O imóvel era grande e tinha um terraço que o contornava, indo até os fundos. Um traço antigo europeu é que havia divisões de sala para visitas. Tinha a sala de visitas para as mulheres e sala de visitas para os homens. A sala do Sr. Luiz Niemeyer era voltada para a frente da casa.

O quintal havia espaço para a horta, o pomar, o galinheiro e para guardar a charrete. Depois que a viúva Niemeyer, já idosa, foi morar com a filha, o imóvel foi alugado para a família Olsen e alguns anos depois comprado pelo Banco do Brasil.

Palacete quase foi destrído

Joinville - Palacete Niemayer -ipatrimônio
Imagem: Google Street View

No início dos anos 80, o Palacete  Niemeyer quase foi demolido para à nova sede do Banco do Brasil. A iniciada começou em agosto de 1982, mas que foi interrompida e em outubro do mesmo ano, o banco anunciou a decisão de preservar o casarão. Dois anos depois, o novo prédio do BB foi erguido ao lado do local.

Um abaixo-assinado foi iniciado pelo Movimento Comunitário de Preservação Cultural de Joinville para ser entregue à Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A FCC (Fundação Catarinense de Cultura), em matéria publicada no “Jornal de Santa Catarina”, também apoiava a preservação. Na época, o pronunciamento do representante da FCC baseava-se no laudo técnico do então conservador-chefe do Estado de Hessen, na Alemanha, Udo Baumann, realizado durante missão de cooperação no Brasil. Ele concluiu: “Além da relevância artística, o edifício Niemeyer desempenha a função de referencial urbanístico de primeira grandeza histórica para a cidade, devendo também ser considerado monumento cultural de Joinville”. E finalizava sugerindo o tombamento do imóvel. (MARIA CRISTINA DIAS)

mesmo terreno funcionou a direção da Colônia

Antes da construção do palacete era a sede da direção da Colônia Dona Francisca, a “Koloniedirektion”, o centro das decisões locais. O prédrio foi a terceira sede da direção.

A primeira foi erguida na rua 9 de Março, a “Hafenstrasse”, antes mesmo da chegada dos primeiros europeus. De acordo com Carlos Ficker, no livro “História de Joinville – Crônicas da Colônia Dona Francisca”, este primeiro “rancho” era feito de palmito e coberto de palha. “Nos dias de chuva não se podia trabalhar, pois não tinha as janelas vidros para impedir a entrada da água, que também escorria do teto”, escreve. Depois de um temporal ocorrido em 1859, o prédio ficou em ruínas e foi preciso providenciar um novo espaço.

A segunda sede da direção da colônia foi na casa do ex-diretor Léonce Aubé para abrigar a sede (portanto assim o prédio era alugado).

A terceira sede foi construída a pedido do diretor Louis Niemeyer (que assumiu de 1860 a 1873) providenciou a construção de um novo prédio, sólido, em frente à rua do Príncipe, onde podia ser visto de longe.

Lendas de tesouros

Fonte: Acervo do AHJ

Em 1982 surgiram histórias de tesouros que estariam escondidos em seu interior, por causa da demolição que estaria por acontecer. As pessoas “sempre criativas” deram à imaginação muitas ilusões e ficção. Há relatos de que um dia um velhinho contou aos responsáveis pelos trabalhos que havia sonhado com um tesouro enterrado no casarão, não sabia indicar o local exato da riqueza. 

Museu Arqueológico de Sambaqui

O museu foi criado em 1969, a partir da compra da coleção de Guilherme Tiburtius, em 1963. Em 1972, foi construída uma sede própria para o museu, e a partir de então passou a atuar na preservação do patrimônio arqueológico da cidade e do município de Joinvillle. Em junho de 2012, o Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville ganhou nova sede, o Palacete Niemeyer, e ainda está em discussão o destino da sede anterior.

Atualmente, a nova sede recebe aos poucos os acervos do museu, e a sede anterior encontra-se fechada. O acervo é constituído por vestígios e objetos encontrados nos 40 sambaquis localizados no município, como ferramentas e ossos. Fonte: UDESC.

Fontes

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